A morte de Bernardo de Lima Mendes, 3 anos, após picada de escorpião em São Paulo, acendeu um sinal de alerta para Goiás. No estado, onde o escorpião amarelo (Tityus serrulatus) é comum e casos graves ocorrem anualmente, a garantia de soro antiescorpiônico e protocolos rápidos de atendimento se torna uma questão de saúde pública urgente.
Goiás convive com a presença constante do escorpião, especialmente em áreas urbanas e rurais, registrando centenas de acidentes por ano, muitos com gravidade que exige o antiveneno. A distribuição do soro pela Secretaria Estadual de Saúde abrange todas as regiões, mas a logística até hospitais de menor porte em municípios distantes pode comprometer o tempo de resposta em emergências.
Segundo o G1, o caso de Bernardo em São Paulo revelou falhas como demora na avaliação da gravidade e ausência do soro no hospital de atendimento inicial. Esse cenário desperta preocupação em Goiás, onde unidades da rede pública também podem enfrentar dificuldades de abastecimento, principalmente em períodos de maior incidência de acidentes.
A Secretaria de Saúde de Goiás assegura que o soro antiescorpiônico é disponibilizado para todas as regiões, com controle centralizado de estoques. Contudo, profissionais da área médica apontam que a remessa para hospitais de referência secundária nem sempre é ágil, o que pode atrasar o tratamento e aumentar os riscos de complicações fatais.
Em Goiânia, a vigilância sanitária municipal monitora a presença de escorpiões, mas a responsabilidade pelo antiveneno é estadual. A população carece de informações claras sobre onde encontrar o soro em situações de urgência, o que pode levar a buscas demoradas e agravamento do quadro clínico das vítimas.
Para evitar que tragédias como a de São Paulo se repitam, Goiás precisa assegurar estoques suficientes de soro e agilizar a logística de distribuição. A transparência sobre os níveis de abastecimento e o treinamento contínuo das equipes são essenciais para proteger a população.