O governo de Roraima criou, em 9 de maio de 2024, a Secretaria Extraordinária da Família, Primeira Infância e Comunidade (Sefic), comandada pela pastora Hildete Albuquerque. A nova pasta substituiu a antiga Secretaria de Relações Institucionais e tem como foco ações sociais em parceria com igrejas e organizações religiosas.
A Sefic foi estruturada para planejar políticas públicas voltadas à família e à primeira infância, com ênfase em integração com entidades religiosas. A nomeação de uma pastora para liderar a secretaria é inédita no Brasil e reflete uma tendência crescente de aproximação entre o poder público e lideranças evangélicas em estados com forte influência religiosa.
Segundo o G1, a medida foi justificada pelo governo interino como uma forma de fortalecer a rede de proteção social por meio de parcerias com igrejas, que já atuam em comunidades carentes. A pastora Hildete Albuquerque, que atua há anos em projetos sociais ligados à sua denominação, foi escolhida por sua experiência em programas de assistência à infância e apoio familiar.
Em Goiás, onde igrejas evangélicas têm peso significativo na agenda política e em eleições, a criação de uma secretaria semelhante pode gerar debate sobre a separação entre Estado e religião. Apesar de não haver propostas formais no estado, organizações civis e juristas já monitoram o caso de Roraima como possível modelo a ser replicado, especialmente em tempos de aumento da demanda por políticas de proteção à criança e ao adolescente.
Em Goiânia, onde ONGs e redes de apoio familiar já atuam em parceria com templos religiosos, a estruturação de uma secretaria estadual comandada por uma liderança religiosa poderia facilitar o acesso a recursos públicos, mas também levanta preocupações sobre imparcialidade e inclusão de outras crenças. Especialistas apontam que o modelo pode ser eficaz na prática, mas exige transparência e mecanismos de controle para evitar a exclusão de grupos não religiosos ou de outras fé.
A experiência de Roraima coloca em discussão como o Estado pode articular políticas sociais com atores religiosos sem comprometer a laicidade. Em Goiás, o caso serve como referência para debates que podem ganhar força em meio às demandas por mais proteção à família e à infância.