Nesta quarta-feira (1º), o governo do RN decretou emergência por seca em 166 municípios, com exceção de Natal, conforme publicação no Diário Oficial Estadual. A medida, motivada por estiagem prolongada que reduziu as reservas hídricas, busca facilitar o acesso a recursos para combater os efeitos da seca.
A declaração de emergência tem como objetivo facilitar o acesso a recursos para ações de combate aos efeitos da seca. O decreto abrange quase a totalidade dos municípios potiguares, refletindo a gravidade da falta de chuvas nos últimos meses.
Apenas Natal, que possui sistema de abastecimento próprio e menor dependência de reservatórios interiores, não foi incluída na lista. A decisão foi tomada após monitoramento contínuo de órgãos estaduais, que identificaram níveis críticos em açudes e barragens essenciais para o abastecimento humano e animal.
Conforme apurou o G1, a medida foi formalizada pelo governador Fátima Bezerra (PT) e segue critérios técnicos da Defesa Civil e da Secretaria de Meio Ambiente. A publicação no DOE autoriza a mobilização de recursos estaduais e a solicitação de apoio federal para ações emergenciais, como a distribuição de água em carros-pipa e a perfuração de poços artesianos em comunidades isoladas.
O semiárido nordestino, região que abrange o estado potiguar, tradicionalmente enfrenta ciclos de seca severa. Decretos de emergência são instrumentos comuns para mitigar danos, mas a frequência e a extensão dos eventos climáticos extremos têm aumentado, pressionando os sistemas hídricos.
Dados da Agência Nacional de Águas (ANA) indicam que a bacia hidrográfica do estado opera com volumes abaixo da média histórica, agravando a vulnerabilidade social e econômica do interior.
A crise no RN serve de alerta para Goiás, especialmente em regiões como o norte do estado, onde a estiagem também compromete reservatórios. A experiência do decreto de emergência pode inspirar a gestão goiana a antecipar planos de contingência para períodos de escassez, visando proteger o abastecimento em Goiânia e municípios do interior.
A integração entre estados em situações similares é crucial para compartilhar estratégias de adaptação climática. Além do socorro imediato, especialistas defendem investimentos em infraestrutura hídrica de longo prazo, como a modernização de sistemas de distribuição e a construção de reservatórios estratégicos.
A situação atual reforça a necessidade de políticas públicas que combinem resposta a emergências e planejamento sustentável, considerando a projeção de eventos climáticos mais intensos nas próximas décadas. O decreto de emergência no Rio Grande do Norte evidencia a urgência de medidas estruturais contra a seca no semiárido, um desafio que também se reflete em Goiás e exige cooperação regional.