No domingo, 12 de maio, o Ritual das Velas marcou o encerramento da 106ª edição do Shokonsai no Cemitério Histórico Japonês de Álvares Machado, em São Paulo. O evento, que homenageia os antepassados com velas acesas, é mantido pela comunidade local desde 1918 e é o único do gênero no Brasil.
O cemitério, único no país com origem e estrutura japonesas históricas, foi palco de cerimônias com música tradicional, oferendas e orações. A Orquestra Camerata participou do evento, contribuindo para a atmosfera de reverência e continuidade cultural. A tradição, reconhecida como patrimônio cultural imaterial pela prefeitura local, reflete a resistência da comunidade nikkei em manter vivas suas raízes mesmo após gerações no Brasil.
Segundo o G1, a celebração atrai descendentes de japoneses de todo o Estado de São Paulo e de outras regiões, além de visitantes interessados na cultura asiática. A preservação do espaço físico e das práticas rituais é feita por meio de esforços comunitários e apoio institucional limitado, destacando a importância do envolvimento local na manutenção da memória coletiva.
Enquanto Álvares Machado mantém esse legado único, o Centro-Oeste, especialmente Goiânia, registra crescimento populacional de descendentes de coreanos e chineses, que também buscam formas de celebrar seus rituais de memória. No entanto, até o momento, não há espaços públicos ou institucionais dedicados à preservação de tradições asiáticas no estado, o que levanta questões sobre a necessidade de políticas culturais mais inclusivas.
A ausência de um espaço semelhante no interior de Goiás contrasta com a riqueza cultural da capital, onde comunidades asiáticas se expandem e se organizam em associações culturais. A possibilidade de criar um centro de memória ou cemitério simbólico em Goiânia — inspirado no modelo de Álvares Machado — é discutida por líderes comunitários, mas ainda depende de reconhecimento oficial e investimento público.
A preservação do Shokonsai em São Paulo serve como exemplo de como tradições antigas podem sobreviver no Brasil. Em Goiânia, a crescente presença de descendentes asiáticos exige reflexões sobre como o patrimônio cultural diverso será acolhido e protegido.