O deputado federal Ricardo Salles (Novo) obteve 120.575 votos para o Senado por São Paulo nas eleições de domingo (4), mesmo após anunciar a retirada da candidatura na sexta-feira (2). A renúncia foi homologada pelo Tribunal Regional Eleitoral paulista, mas os votos já depositados nas urnas foram computados normalmente.
A homologação da desistência ocorreu no mesmo dia do anúncio, sexta-feira, segundo reportagem do G1. Como o prazo para substituição de candidatos já havia se esgotado, o nome de Salles permaneceu nas urnas eletrônicas e nos boletins de urna impressos, o que permitiu que eleitores o escolhessem mesmo sem a candidatura ativa.
Salles foi ministro do Meio Ambiente no governo Jair Bolsonaro e elegeu-se deputado federal pelo Novo em 2022. A votação expressiva para o Senado, mesmo fora da disputa, reflete o capital eleitoral que mantém no estado onde iniciou a carreira parlamentar.
O fenômeno de votos direcionados a candidatos que já renunciaram não é inédito, mas ganha proporção quando atinge números de seis dígitos. Especialistas em direito eleitoral explicam que a legislação determina a contabilização dos sufrágios já registrados, pois não há mecanismo técnico para anulá-los após a impressão dos boletins.
Para eleitores goianos que acompanham a movimentação do Novo em nível nacional, o caso ilustra como a fidelidade partidária e o reconhecimento de nome podem superar a própria dinâmica da campanha, gerando resultados que fogem às projeções dos institutos de pesquisa.
A votação de Salles deve ser certificada pelo TRE-SP nos próximos dias, mas não altera a composição do Senado, já que a vaga foi decidida entre os candidatos que mantiveram a disputa até o fim.