Na pré-campanha presidencial de 2024, candidatos e apoiadores recorreram a inteligência artificial generativa para criar jingles, sátiras e cenas fictícias. Peças com vozes e imagens sintéticas circularam em redes sociais e eventos partidários, marcando a estreia em larga escala da tecnologia em disputas nacionais.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu em vídeo cuja trilha sonora teve voz gerada com auxílio de IA. O senador Flávio Bolsonaro foi retratado como piloto em uma produção sintética, e o ex-presidente Jair Bolsonaro teve vídeo sintético exibido na convenção do Partido Liberal. O deputado Renan Santos publicou material que usa IA para abordar o empresário Daniel Vorcaro.
Segundo reportagem do G1, a eleição municipal de 2024 foi a primeira no país com disponibilidade ampla de ferramentas generativas de baixo custo, o que facilitou a produção em escala por campanhas e apoiadores. O fenômeno ocorreu tanto em peças oficiais quanto em conteúdos criados por militantes sem vínculo direto com as coordenações centrais.
O uso dessas ferramentas levanta debates sobre os limites da propaganda eleitoral e a capacidade do eleitor de distinguir conteúdo real de fabricado. Regras do Tribunal Superior Eleitoral exigem rótulo em material sintético, mas a fiscalização em tempo real nas plataformas digitais permanece um desafio técnico e jurídico.
A tecnologia permite criar áudios, imagens e vídeos realistas em minutos, o que acelera a disseminação de narrativas fabricadas. Em um ambiente de alta polarização, o risco de confusão entre fato e simulação aumenta a pressão por mecanismos de verificação acessíveis ao público.
O avanço da IA generativa impõe desafios inéditos à fiscalização eleitoral e à formação da opinião pública. A capacidade de criar conteúdos realistas em minutos exige do eleitor atenção redobrada à procedência do que circula nas redes.