A Polícia Federal indiciou seis pessoas em um novo inquérito que apura fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS. Entre os indiciados está Alessandro Stefanutto, ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social. A investigação concentrou-se nos descontos ilegais realizados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), maior entidade investigada no esquema.
Segundo reportagem do G1, o inquérito apura como a entidade conseguia autorização para descontar valores de benefícios previdenciários sem o consentimento dos titulares. Os valores eram repassados como mensalidades associativas, mas muitos beneficiários jamais solicitaram filiação ou sequer sabiam da existência dos descontos.
A Contag figura como a principal organização investigada por operar o esquema em escala nacional. Documentos obtidos pela PF mostram que a entidade mantinha convênios que permitiam o acesso direto à folha de pagamento do INSS, facilitando a inclusão de descontos sem verificação prévia de adesão voluntária.
Alessandro Stefanutto presidiu o INSS entre 2023 e 2024. A investigação busca estabelecer se houve facilitação institucional para a manutenção dos convênios irregulares durante sua gestão. Os demais indiciados ocupavam cargos de direção na Confederação ou atuavam na intermediação dos repasses financeiros.
O prejuízo estimado aos cofres da Previdência Social e aos beneficiários atinge a casa dos bilhões de reais. A PF já pediu o bloqueio de bens dos investigados e a quebra de sigilos bancário e fiscal para rastrear o destino dos recursos desviados.
O indiciamento reforça a pressão por maior controle nos convênios de desconto em folha e pode levar a mudanças nas regras de fiscalização do INSS sobre entidades conveniadas.