O físico nuclear Philip Morrison, integrante do Projeto Manhattan, afirmou em 1975 que a decisão de lançar a bomba atômica sobre Nagasaki partiu de uma preocupação genuína com o futuro da humanidade, e não da falta dela, classificando o ato como um possível pecado.
Morrison visitou as cidades japonesas devastadas pouco após o ataque de 9 de agosto de 1945 e, três décadas depois, prestou depoimento em audiência especial e concedeu entrevista à BBC com imagens da Getty Images. No relato, ele descreveu a morte e a destruição que testemunhou e explicou o raciocínio que levou os cientistas a apoiar o uso da arma.
Segundo reportagem do G1, o físico declarou que a escolha não foi motivada por desrespeito à vida humana, mas exatamente pelo contrário: a convicção de que o fim rápido da guerra pouparia mais vidas a longo prazo, ainda que ao custo de um "pecado" moral inegável.
O Projeto Manhattan reuniu alguns dos maiores nomes da física do século XX sob pressão de guerra. A bomba lançada sobre Nagasaki, de plutônio, matou dezenas de milhares de pessoas instantaneamente e deixou sequelas radiológicas por gerações. Morrison fez parte da equipe que tornou isso tecnicamente possível.
O depoimento de 1975 permanece como um dos registros mais francos sobre a responsabilidade ética dos cientistas diante de tecnologias de destruição em massa. A discussão sobre os limites da pesquisa e o dever de prever consequências continua a orientar comitês de ética e políticas de não proliferação nuclear.
Arquivos do Projeto Manhattan e do Arquivo Nacional dos EUA corroboram a versão de Morrison sobre as deliberações internas. A transparência tardia do físico ajuda a entender como decisões técnicas adquirem peso histórico irreversível quando saem do laboratório.
O relato de Morrison expõe a tensão permanente entre avanço científico e responsabilidade moral, lição que ecoa em cada nova fronteira tecnológica.