Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria demonstrou que florestas nativas, presentes em cerca de 15% do território gaúcho, diminuem o volume e a velocidade da água da chuva em áreas urbanas. O estudo também identificou capacidade de retenção de poluentes, o que melhora a qualidade ambiental.
O trabalho analisou bacias hidrográficas com diferentes graus de preservação e comparou o comportamento da água da chuva em cada cenário. Segundo reportagem do G1, os pesquisadores mediram vazão, velocidade e concentração de sedimentos e contaminantes em trechos com mata nativa e em áreas desmatadas.
Os resultados indicam que a vegetação atua como esponja natural: o solo coberto por floresta absorve maior quantidade de água, libera-a lentamente e retém partículas poluentes antes que cheguem aos cursos d'água. Em trechos sem mata, a água escoa rápido, carrega sedimentos e aumenta o risco de alagamentos.
A pesquisa quantificou a diferença: bacias com cobertura florestal próxima do original apresentaram picos de vazão até 40% menores que bacias degradadas. A velocidade do escoamento superficial caiu pela metade, o que amplia o tempo de infiltração e recarga de aquíferos.
Os autores destacam que a manutenção de fragmentos florestais, mesmo em áreas agrícolas ou periurbanas, funciona como infraestrutura verde de baixo custo. A recomposição de matas ciliares e de topo de morro potencializa o efeito de regulação hídrica em escala de bacia.
O estudo reforça que conservar florestas nativas é estratégia concreta para reduzir danos de eventos extremos e proteger recursos hídricos.