Em 1º de maio de 2024, o Sistema Anchieta-Imigrantes, na região metropolitana de São Paulo, passou a cobrar R$ 40,60 pela passagem de veículos de passeio na descida da serra, tornando-se o pedágio mais caro do Brasil. O reajuste de 4,91%, autorizado pela concessionária Ecovias e homologado pelo DER-SP, impacta diretamente o custo de transporte entre a Baixada Santista e a capital paulista.
O aumento na tarifa do SAI supera todos os demais pedágios do país, incluindo os de sistemas como o Rodoanel e o Anel Rodoviário do Rio de Janeiro. Segundo o G1, a nova tarifa reflete o custo de manutenção, operação e investimentos em segurança da rodovia, mas também gera críticas de motoristas e associações de transportadores que apontam o impacto na logística e no preço final dos produtos.
Enquanto isso, em Goiás, motoristas enfrentam tarifas significativamente menores: na BR-153 e na GO-060, por exemplo, o valor médio cobrado varia entre R$ 12 e R$ 15, conforme dados da Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos. Isso representa uma diferença de até 70% em relação ao pedágio paulista, o que contribui para manter os custos de transporte mais baixos no Centro-Oeste.
A disparidade entre os valores reflete diferenças estruturais nas políticas de concessão e financiamento rodoviário. Enquanto São Paulo adota modelos de concessão privada com fórmulas de reajuste indexadas à inflação e ao índice de custos, Goiás mantém grande parte de suas rodovias sob gestão estadual, com reajustes mais controlados e menos frequentes. A ausência de grandes concessões privadas no estado reduz a pressão por aumentos tarifários abruptos.
Em Goiânia, o impacto desse cenário se reflete nos preços dos alimentos e insumos: produtos vindos do Sudeste, como frutas e hortaliças, têm custo logístico menor quando transportados por rodovias goianas, o que ajuda a estabilizar os preços no varejo local. Apesar disso, há pressão de associações de caminhoneiros e sindicatos por revisão das tarifas nas rodovias estaduais, especialmente após o aumento do preço do diesel e da manutenção defasada de trechos da GO-060.
O pedágio mais caro do Brasil destaca a disparidade regional nos custos de transporte, com reflexos diretos na economia local. Em Goiás, a estrutura mais acessível das rodovias mantém o custo logístico mais baixo, mas a necessidade de investimentos em infraestrutura permanece em pauta.