A atriz Paolla Oliveira usou o espaço do Fantástico, da TV Globo, para denunciar a escalada de deepfakes sexuais que têm como alvo principal mulheres e meninas. Em depoimento exibido neste domingo, ela descreveu como a inteligência artificial passou a ser empregada de forma criminosa para fabricar conteúdos íntimos falsos, gerando danos psicológicos e sociais às vítimas.
Segundo reportagem do G1, a artista afirmou que, quando a tecnologia começou a se popularizar, não imaginava o rumo que tomaria. Hoje, segundo ela, a violência digital se tornou cada vez mais comum e acessível, permitindo que qualquer pessoa crie montagens realistas sem consentimento das retratadas.
Especialistas ouvidos pela produção apontam que o avanço de ferramentas generativas reduziu a barreira técnica para a produção desse material. O que antes exigia conhecimento avançado de edição agora pode ser feito em poucos cliques, ampliando o número de potenciais agressores e a velocidade de disseminação nas redes.
No Brasil, projetos de lei tramitam no Congresso para tipificar a criação e o compartilhamento de deepfakes pornográficos como crime autônomo, com penas que podem chegar a reclusão. Plataformas digitais também passaram a ser pressionadas a desenvolver mecanismos de detecção e remoção mais ágeis, embora a eficácia ainda seja limitada diante do volume de uploads diários.
Vítimas relatam impactos que vão além da exposição da imagem: perda de oportunidades profissionais, rompimento de relações pessoais, quadros de ansiedade e depressão. A dificuldade de rastrear a origem do conteúdo e a permanência dos arquivos em servidores estrangeiros tornam a reparação quase impossível em muitos casos.
O depoimento de uma figura pública expõe a urgência de respostas jurídicas e tecnológicas que acompanhem a velocidade da inovação, protegendo a dignidade de quem tem a imagem sequestrada por algoritmos.