Um homem de 32 anos foi preso em Francisco Beltrão, no Paraná, após chutar a filha de 3 anos no rosto, causando suspeita de fratura facial. O episódio, gravado em vídeo, gerou comoção nacional e levantou questões sobre a falta de suporte psicossocial para pais em crise, um problema que também se reflete em Goiânia, onde os casos de violência infantil cresceram significativamente no último ano.
Segundo o G1, o homem confessou à polícia que 'perdeu a cabeça' por causa dos gritos da criança e expressou arrependimento. A menina foi encaminhada ao Hospital Regional com hematomas e suspeita de fratura no maxilar. O caso foi encaminhado à Justiça da Infância e da Juventude, e ele foi autuado por lesão corporal qualificada e abuso de autoridade contra criança.
Em Goiânia, dados do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude do Ministério Público de Goiás (MP-GO) apontam aumento de 18% nos registros de violência contra crianças em 2023, em comparação com o ano anterior. Especialistas apontam que muitos casos poderiam ser evitados com intervenção precoce, mas os serviços de apoio familiar ainda são insuficientes e mal divulgados.
Conforme apurou o G1, o pai não tinha histórico de violência anterior, o que reforça a tese de que crises emocionais não tratadas podem levar a atos extremos. Em outros estados, programas de acolhimento e terapia familiar já são usados como medida preventiva — algo que ainda é raro na rede pública goiana.
Na capital, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi) oferecem suporte, mas a demanda supera a oferta. Muitos pais não sabem que esses serviços existem ou têm medo de procurá-los por temerem a intervenção do Conselho Tutelar.
A tragédia no Paraná serve como alerta para a urgência de ampliar redes de apoio psicológico e social para famílias em situação de risco em Goiânia, antes que a crise se transforme em violência irreversível.