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Brasil

Ovo de Páscoa 2024: por que o chocolate continua caro mesmo com cacau mais barato?

Enquanto produtores recebem menos, consumidores de Goiânia enfrentam alta de quase 25% nos preços, segundo levantamento do Procon local.

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Redação Biscoitei
04 de abril de 2026, 02:37 3 min de leitura
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Ovo de Páscoa 2024: por que o chocolate continua caro mesmo com cacau mais barato?

Apesar da queda no preço internacional e nacional do cacau, o chocolate segue com preços elevados para o consumidor final nesta Páscoa. Em Goiânia, a inflação acumulada em 12 meses para chocolates em barra e bombons atingiu 24,8%, pressionando o orçamento familiar na principal data de consumo do produto.

A contradição entre o custo da matéria-prima e o preço final do produto se deve a uma combinação de fatores estruturais na cadeia de produção. Conforme apurou o G1, o preço pago ao produtor de cacau na Bahia, maior estado produtor, desacelerou significativamente, com a arroba valendo em média R$ 167, valor que representa menos de 25% do pico histórico de 2023.

Segundo o G1, essa redução no preço pago ao campo não se reflete no varejo devido aos custos fixos e margens acumuladas ao longo da cadeia.

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim e Balas (Abic) aponta que a composição do preço final inclui despesas com industrialização, logística, distribuição e uma alta carga tributária, que não acompanham a volatilidade das commodities. Além disso, a inflação geral e os reajustes de custos operacionais, como energia e embalagens, pressionam as indústrias e o comércio varejista.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/ESALQ) ressalta que a formação de preços no setor de chocolates é complexa e possui inércia, ou seja, os preços tendem a subir com facilidade, mas demoram a cair mesmo com a descompressão nas matérias-primas.

Em Goiânia, o impacto é sentido diretamente pelo consumidor. Dados do Procon Goiás, consultados pela reportagem, indicam que a alta para chocolates supera a média nacional, com variações expressivas nos ovos e caixas de bombons. A Capital não possui grandes indústrias de beneficiamento de chocolate, dependendo da produção de outros estados, o que pode agregar custos de transporte e distribuição ao produto final.

Para o goianiense, o orçamento doméstico precisa ser ajustado para acomodar a tradicional compra de Páscoa. A manutenção dos preços altos, mesmo com o cacau mais barato, significa que o alívio esperado pelos produtores não chega ao bolso do consumidor, que arca com uma cesta de impostos e custos logísticos que se mantêm em alta. A desconexão entre o comportamento do cacau e o preço do chocolate na Páscoa evidencia como a cadeia produtiva absorbe e retém os ganhos da queda da commodity. Em Goiânia, o fenômeno se traduz em uma inflação mais acentuada para o chocolate, limitando o poder de compra das famílias na data de maior consumo do produto.

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