Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, anunciou que não haverá mais eleições no país. Em mensagem publicada em rede social, ele afirmou que a ausência de guerra não significa paz. A Organização dos Estados Americanos condenou a decisão e disse que o regime abandonou a aparência democrática.
O anúncio foi feito por meio de uma publicação oficial do mandatário, sem que tenham sido divulgados detalhes sobre data ou sobre como o processo político será conduzido a partir de agora. Segundo reportagem do G1, a fala de Ortega reforça o fechamento do espaço institucional que vinha sendo restringido desde a crise de 2018.
Albert Ramdin, secretário-geral da OEA, reagiu classificando a medida como abandono definitivo da democracia. Ele afirmou que o regime negou o direito soberano do povo nicaraguense de escolher seu governo. A entidade considera que a declaração encerra qualquer vestígio de normalidade democrática no país.
A Nicarágua vive um processo contínuo de concentração de poder desde a reeleição de Ortega em 2021, em pleito não reconhecido por observadores internacionais. Prisões de opositores, fechamento de ONGs e controle do sistema judiciário marcaram os últimos anos. O fim das eleições formaliza uma trajetória que já vinha sendo denunciada por organismos multilaterais.
O episódio reacende o debate sobre a solidez das instituições democráticas na América Latina. A posição que o Brasil e outros países da região adotarem nos próximos dias será indicativo da disposição coletiva para enfrentar rupturas institucionais ou para tolerar sua normalização.
A declaração de Ortega elimina a última fachada eleitoral na Nicarágua e coloca a comunidade internacional diante de um teste prático de coerência com seus compromissos democráticos.