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Brasil

ONU classifica escravidão como crime contra humanidade e reacende debate em Goiás

Decisão histórica da organização, apoiada pelo Brasil, coloca em pauta as desigualdades raciais e a necessidade de reparação no estado.

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Redação Biscoitei
29 de março de 2026, 04:18 3 min de leitura
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ONU classifica escravidão como crime contra humanidade e reacende debate em Goiás

A Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu oficialmente o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. A resolução, resultado de uma proposta de Gana com apoio de 120 países, incluindo o Brasil, reforça discussões globais sobre racismo estrutural e reparação histórica. Em Goiás, onde a herança escravista moldou profundamente a formação social e econômica, a decisão ganha contornos especiais.

A classificação adotada pela ONU representa um marco simbólico e jurídico, ao estabelecer que a escravidão e o tráfico atlântico constituíram crimes de lesa-humanidade em escala massiva. Essa definição, segundo analistas, pode servir de base para futuras ações internacionais e nacionais voltadas à justiça racial. O documento reforça a responsabilidade de estados que se beneficiaram economicamente do sistema escravista, incluindo o Brasil, último país das Américas a abolir a prática em 1888.

Conforme apurou o G1, a resolução foi aprovada após forte articulação diplomática liderada por Gana, com o Brasil figurando entre os co-patrocínadores. A decisão ocorre em um contexto de crescente pressão por políticas de reparação em todo o mundo, inspiradas em modelos como o do pagamento de indenizações a vítimas do Holocausto. Para especialistas, o texto da ONU não tem caráter vinculante, mas eleva o patamar das exigências por medidas concretas contra o racismo.

A história de Goiás está intrinsecamente ligada à escravidão. Durante o século XIX, a região foi um dos principais polos cafeeiros doImpério, sustentado por milhares de pessoas escravizadas. Dados históricos indicam que, em 1872, Goiás possuía uma população escravizada superior a 40 mil indivíduos, percentual expressivo em relação ao total. Essa base forçada de trabalho contribuiu para a acumulação de riqueza de uma elite local e definiu hierarquias raciais que persistem até hoje.

Hoje, o estado exibe indicadores sociais que refletem essas desigualdades históricas. Pesquisas mostram que a população negra em Goiás possui renda média significativamente menor que a de brancos, além de enfrentar maiores taxas de desemprego e violência. Em Goiânia, movimentos sociais e acadêmicos têm pressionado por políticas públicas como cotas raciais em universidades e concursos, além de iniciativas de memória e reparação. A decisão da ONU, para esses grupos, fortalece a legitimidade dessas reivindicações.

O impacto da classificação da ONU também se projeta no campo jurídico. Advogados e defensores públicos em Goiás avaliam que o reconhecimento internacional pode embasar ações judiciais coletivas por danos raciais ou pressionar o governo estadual a implementar programas de desenvolvimento territorial com foco em comunidades quilombolas e tradicionais. A medida, contudo, esbarra na falta de um marco legal nacional claro sobre reparação, o que exige novas negociações no Congresso.

A resolução da ONU transforma um debate histórico em prioridade contemporânea para Goiás, exigindo que o state encare de forma estrutural as desigualdades enraizadas na escravidão.

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