Um micro-ônibus caiu de uma ponte na região serrana do Rio Grande do Sul na noite desta quarta-feira, deixando um motorista morto e sete passageiros feridos. O acidente ocorreu na ERS-324, entre os municípios de Casca e Paraí, por volta das 19h, e ainda está sob investigação. Embora o episódio tenha ocorrido no Sul, ele reacende preocupações sobre a segurança de transportes coletivos em rotas intermunicipais de Goiás.
O veículo, um Mercedes Benz emplacado em Arvorezinha, desceu cerca de 15 metros após perder o controle na ponte sobre o Rio Carreiro. Segundo o Comando Rodoviário da Brigada Militar, o condutor não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Os sete passageiros foram encaminhados a hospitais da região com traumas variados, alguns em estado grave. A pista estava molhada devido à chuva, mas as causas exatas do acidente — como falha mecânica, excesso de velocidade ou defeito na estrutura da ponte — ainda não foram confirmadas.
Segundo o G1, a ponte onde ocorreu o acidente tem histórico de alertas de conservação, mas não passava por obras de reforço. A situação reflete um problema recorrente em regiões rurais e de baixa densidade populacional, onde a manutenção de infraestrutura rodoviária é negligenciada. Em Goiás, rotas como a GO-060 entre Goiânia e Rio Verde, ou a GO-118 que liga Anápolis a Jaraguá, também apresentam trechos com sinalização deficiente e pontes com sinais de desgaste, segundo relatos de motoristas e sindicatos de transportes.
Conforme apurou o G1, acidentes semelhantes já ocorreram em outros estados, muitos deles envolvendo veículos de transporte coletivo com mais de 15 anos de uso e sem inspeção regular. Em Goiás, a Secretaria de Transportes e Mobilidade registrou 14 acidentes graves com ônibus intermunicipais entre 2021 e 2023, com cinco mortes e 42 feridos. A maioria ocorreu em estradas estaduais, onde a fiscalização é escassa e a frota muitas vezes opera com laudos vencidos.
Para o goianiense que utiliza ônibus para deslocamentos entre municípios, o risco é real: linhas que ligam Aparecida de Goiânia a Cidade Ocidental, ou Jataí a Itumbiara, passam por pontes antigas e vias sem guarda-corpos. Apesar de o Estado ter lançado em 2022 o Programa de Modernização do Transporte, a implantação de novos padrões de segurança ainda é lenta, com foco quase exclusivo em capitais e grandes centros.
O acidente no RS serve como alerta sobre a urgência de revisar a segurança do transporte coletivo em todo o Centro-Oeste. Em Goiás, a falta de investimento em infraestrutura e fiscalização pode transformar qualquer ponte ou estrada em uma armadilha.