A Organizacao Mundial da Saude emitiu alerta nesta terca-feira (22) classificando o atual ciclo de El Niño como uma grande ameaça à saude populacional. O fenomeno, projetado como um dos mais intensos do registro historico, deve ampliar extremos climaticos com consequencias diretas para a vigilancia epidemiologica.
O aviso da entidade aponta que o aquecimento anomalo do Pacifico equatorial tende a agravar secas prolongadas em areas ja vulneraveis e chuvas excessivas em outras, criando condicoes favoraveis a surtos de colera e quadros severos de desnutricao. A degradacao da qualidade do ar, impulsionada por incendios florestais mais frequentes, soma-se ao risco de doenças diarreicas agudas.
Segundo reportagem do G1, o Ministerio da Saude e o Instituto Nacional de Meteorologia acompanham a evolucao do cenário para orientar acoes de preparacao nos estados. A pasta reforçou a importancia da vigilancia de doenças de transmissão hidrica e da ampliacao de pontos de hidratacao em municipios sujeitos a ondas de calor prolongadas.
Especialistas em climatologia explicam que o Centro-Oeste brasileiro costuma registrar reducao de chuvas e elevação de temperaturas durante episodios fortes de El Niño, o que pressiona reservatorios e aumenta a incidência de queimadas. O Instituto Nacional de Meteorologia ja emitiu avisos de perigo para baixa umidade relativa do ar em parte de Goias nas proximas semanas.
A OMS recomenda que paises fortaleçam sistemas de alerta precoce, garantam estoques de soro oral e antibioticos para colera e ampliem a capacidade de resposta em unidades de saude nas areas de maior risco climático. A entidade tambem pede integracao entre servicos meteorologicos e redes de atencao primaria para antecipar picos de demanda.
A conjugação de extremos climaticos e fragilidades sanitarias exige acao coordenada entre setores de saude, meio ambiente e defesa civil para proteger populacoes mais expostas.