A gestão da saúde pública estadual, incluindo a distribuição de medicamentos de alto custo pelo SUS, será um dos eixos centrais das propostas dos candidatos a governador nas eleições de outubro. A definição de prioridades de financiamento e a organização da assistência farmacêutica afetam diretamente pacientes com doenças crônicas que dependem de tratamento contínuo.
Reportagem do G1 mostra o caso de Josicleide dos Santos Moura, empregada doméstica que há sete anos busca garantir o antiepiléptico da filha por meio de uma farmácia especializada do SUS na zona leste de São Paulo. A trajetória dela ilustra as dificuldades de acesso a tratamentos de longa duração no sistema estadual, onde a burocracia e a disponibilidade irregular de estoques tornam a rotina de famílias uma corrida contra o tempo.
A legislação atribui aos estados a responsabilidade pela gestão da assistência farmacêutica de alto custo, cabendo a eles a compra, o armazenamento e a distribuição dos insumos que não estão na lista básica do Ministério da Saúde. Na prática, isso significa que o governador eleito define o orçamento da secretaria de saúde, firma contratos de fornecimento e organiza a rede de farmácias especializadas que atendem a população.
Em Goiás, a estrutura segue modelo semelhante: a Secretaria de Estado da Saúde coordena a dispensação de medicamentos excepcionais por meio de unidades de referência e de farmácias de alto custo distribuídas no interior. Pacientes goianos relatam desafios parecidos, como a necessidade de renovação periódica de laudos médicos e a oscilação no abastecimento de determinados princípios ativos.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que, além do financiamento, a transparência nos processos de aquisição e a integração de dados entre prescritores e dispensadores são pontos críticos para reduzir filas e evitar interrupções de tratamento. Propostas que prevejam informatização completa do fluxo e estoques de segurança mínimos tendem a gerar impacto mais imediato na vida de quem depende do SUS estadual.
O eleitor que convive com a espera por medicamento de alto custo terá nas urnas a chance de cobrar planos concretos de gestão, não apenas promessas genéricas de mais recursos.