A Seleção Brasileira Feminina foi eliminada da Copa do Mundo de 2023 após perder por 1 a 0 para a Noruega, em 2 de agosto, em Wellington, Nova Zelândia. A derrota foi marcada por uma surpresa estatística: foi a única partida da equipe na competição em que teve menos controle da bola que o adversário, com 47% de posse contra 53%.
O gol da Noruega, marcado por Ada Hegerberg aos 34 minutos do segundo tempo, surgiu de uma sequência precisa de passes curtos e organização tática, contrastando com o estilo mais aberto e dependente de individualidades do Brasil. A equipe canarinha, que havia vencido os dois jogos anteriores, teve apenas quatro chutes ao gol — contra 11 da adversária — e não conseguiu superar a solidez defensiva norueguesa, que priorizou eficiência sobre posse.
Segundo o G1, a partida revelou uma lacuna na identidade do futebol feminino brasileiro: a dificuldade de equilibrar a tradição de jogo ofensivo com a necessidade de controle e organização contra adversários mais físicos e disciplinados. A Noruega, campeã europeia em 2013, demonstrou que a posse de bola não é sinônimo de domínio, mas sim uma ferramenta a ser usada com propósito — algo que o Brasil não conseguiu adaptar em momento decisivo.
Essa dinâmica não é exclusiva da seleção. Clubes goianos como Goiás Esporte Clube e Vila Nova, que vêm investindo no futebol feminino nos últimos anos, também enfrentam o desafio de equilibrar o estilo mais técnico e criativo, herança do futebol brasileiro, com a exigência de estrutura e organização tática que prevalece em competições internacionais. Treinadores locais já apontam a necessidade de reestruturar os treinos para incluir mais situações de pressão alta e transição rápida.
A lição da Noruega pode servir de espelho para o desenvolvimento do futebol feminino no Centro-Oeste. Enquanto o Brasil depende de talentos individuais para criar oportunidades, equipes europeias como a norueguesa conseguem gerar chances mesmo com menos posse — graças a movimentação coletiva, posicionamento estratégico e eficiência final. Essa mudança de paradigma exige investimento em treinamento tático, não apenas em contratações de jogadoras de destaque.
A eliminação do Brasil na Copa não foi apenas uma derrota no placar, mas um alerta sobre a necessidade de evoluir o modelo de jogo. Para o futebol feminino goiano, a lição é clara: posse sem propósito não vence jogos decisivos.