Prefeituras goianas começam a planejar como assumir os custos permanentes das escolas em tempo integral quando o repasse federal de implantação se encerrar. O governo federal financia a fase inicial, mas a manutenção de profissionais, prédios e alimentação ampliada passa a ser responsabilidade exclusiva dos municípios.
Segundo reportagem do Jornal Opção, o Ministério da Educação libera recursos de fomento para a implantação do modelo, porém esse apoio tem prazo definido. Ao final do período, as prefeituras herdam a folha de pagamento dos novos professores e funcionários, os custos de conservação das unidades e o volume maior de merenda escolar — despesas que se repetem todo ano.
O Tribunal de Contas da União já alertou para o risco de descontinuidade do programa caso os entes locais não se planejem. A transferência de obrigações pode pressionar orçamentos já apertados, exigindo remanejamento de verbas ou busca de novas fontes de receita para evitar paralisação das atividades.
Em Goiânia, a secretaria municipal de Educação estuda cenários de custeio a médio prazo, incluindo possíveis parcerias e adequações na lei orçamentária. Outras cidades goianas também mapeiam quantas unidades receberão o modelo e projetam o impacto financeiro a partir de 2027, quando parte dos convênios federais começa a vencer.
A conta envolve não apenas salários, mas também energia, água, material didático e logística de alimentação para jornadas de até nove horas. Gestores ouvidos pela reportagem defendem que a União estabeleça critérios de transição mais claros e previsíveis para evitar que a expansão do tempo integral vire passivo fiscal nas redes municipais.
A sustentabilidade do tempo integral depende de planejamento orçamentário realista nos municípios, sob pena de comprometer a qualidade do ensino ofertado.