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Brasil

Mulheres levam mais de dez anos para romper ciclos de violência doméstica

Relatos mostram dificuldade de identificar abuso; rede de acolhimento em Goiás tenta reduzir tempo de saída

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Redação Biscoitei
24 de agosto de 2026, 12:30 2 min de leitura
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Mulheres levam mais de dez anos para romper ciclos de violência doméstica
Foto: Reprodução/og:image

Vítimas de violência doméstica no Brasil podem permanecer em relacionamentos abusivos por mais de uma década antes de conseguir sair. O dado aparece em reportagem do G1 que ouviu mulheres como Giullia Falcão e Jady Cristine Pereira Rosa, cujas histórias ilustram a demora no reconhecimento do ciclo de agressão.

Giullia Falcão relatou à publicação que via cada episódio como um caso isolado. "Acreditava que era um episódio de ódio isolado e que eu poderia ser feliz e que isso nunca mais iria acontecer", disse ela. A fala resume o padrão identificado por especialistas: a minimização da violência e a esperança de mudança do parceiro atrasam a ruptura.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o tempo médio entre o início das agressões e a denúncia formal supera dez anos em parcela significativa dos casos. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos aponta que a dependência financeira, o medo de retaliação e a falta de informação sobre canais de ajuda estão entre as barreiras mais frequentes.

Em Goiás, a rede de enfrentamento conta com 14 Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs), Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams) em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis, além da Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar. Dados da Secretaria de Estado da Mulher indicam que, em 2025, os equipamentos realizaram mais de 42 mil atendimentos, entre acolhimento psicossocial, orientação jurídica e encaminhamento para casas-abrigo.

A ONU Mulheres Brasil destaca que a capilaridade dos serviços no interior ainda é desigual. Municípios sem CRAM ou Deam dependem de parcerias com a Defensoria Pública e com o Ligue 180 para garantir o primeiro acolhimento. O governo estadual lançou em 2024 o programa "Mulher Protegida", que prevê a expansão de unidades móveis para regiões do Entorno do Distrito Federal e do nordeste goiano, onde os índices de feminicídio estão acima da média nacional.

O fortalecimento da rede local e a divulgação contínua dos canais de denúncia são passos essenciais para encurtar o tempo entre a primeira agressão e a saída definitiva do ciclo de violência.

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