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Brasil

MPF investiga deterioração grave na saúde de comunidade Yanomami com leishmaniose

Ministério Público Federal apura situação sanitária em território indígena; não há dados oficiais sobre número de casos

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Redação Biscoitei
26 de agosto de 2026, 14:30 2 min de leitura
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MPF investiga deterioração grave na saúde de comunidade Yanomami com leishmaniose
Foto: Reprodução/og:image

O Ministério Público Federal abriu investigação para apurar o que classifica como grave deterioração nas condições de saúde de uma comunidade do povo Yanomami, onde foram registrados casos de leishmaniose. A apuração mira a responsabilidade do poder público na assistência sanitária ao território indígena.

A investigação foi instaurada após o MPF identificar indícios de falhas sistemáticas no atendimento prestado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) na região. Segundo reportagem do G1, o procedimento busca reunir provas sobre a falta de medicamentos, a precariedade de unidades de apoio e a demora no diagnóstico da doença, que é transmitida pelo mosquito-palha e pode evoluir para formas graves se não tratada a tempo.

A leishmaniose tem incidência histórica nos territórios Yanomami, agravada pelo garimpo ilegal que desmata áreas de floresta e aproxima vetores das aldeias. Dados do Ministério da Saúde mostram que a população indígena apresenta risco até quatro vezes maior de contrair a enfermidade em comparação à média nacional, quadro que se agrava com a escassez de profissionais de saúde dispostos a atuar em áreas de difícil acesso.

O inquérito civil pode resultar em ação civil pública para obrigar a União a recompor equipes, garantir estoque de anfotericina B e meglumina de antimônio — fármacos de referência para o tratamento — e restabelecer o transporte fluvial e aéreo de pacientes graves. A Procuradoria também avalia pedir o bloqueio de verbas emergenciais caso a gestão não apresente plano de contingência em prazo razoável.

Organizações indigenistas acompanham o caso e alertam que a deterioração sanitária não é isolada: relatórios recentes apontam surtos de malária, desnutrição e tuberculose nas mesmas regiões, num ciclo que expõe a fragilidade da política de atenção diferenciada prevista na Constituição.

A apuração do MPF pressiona o governo a apresentar respostas concretas para uma crise que se arrasta há anos e coloca em risco a sobrevivência de povos originários.

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