Miami desbancou Nova York como principal destino dos ultrarricos americanos, segundo reportagem do G1. A venda recorde de uma propriedade por US$ 200 milhões para o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, em março de 2024, marcou o ponto de virada nesse movimento de realocação de grandes fortunas.
A transação, fechada no início de 2024, tornou-se a mais cara já registrada no mercado imobiliário da cidade fluminense. O valor superou em larga margem os recordes anteriores da região e sinalizou ao mercado que a Flórida passava a competir diretamente com os tradicionais polos de concentração de riqueza no Nordeste dos Estados Unidos.
Além do caso Zuckerberg, a reportagem aponta fluxo contínuo de fundadores de tecnologia, gestores de fundos e herdeiros de grandes fortunas para bairros como Indian Creek, Star Island e Coral Gables. A combinação de ausência de imposto estadual de renda, clima favorável e infraestrutura de serviços de alto padrão tem funcionado como vetor de atração mais forte do que os centros financeiros tradicionais.
O movimento provocou valorização acelerada nos imóveis de frente para o mar e nas ilhas artificiais da baía de Biscayne. Corretores especializados no segmento de ultra-luxo relatam que a demanda supera a oferta disponível, com negócios fechados acima do valor de avaliação e prazos de negociação encurtados.
Nova York mantém relevância como hub financeiro e cultural, mas perde espaço como residência principal para o topo da pirâmide patrimonial. A diferença de carga tributária entre os dois estados — Flórida sem IR estadual versus alíquotas combinadas que passam de 14% em Nova York — pesa na decisão de quem pode escolher livremente onde morar.
A reconfiguração do mapa das grandes fortunas nos EUA reflete escolhas tributárias e de estilo de vida que tendem a se consolidar nos próximos ciclos imobiliários.