Levantamento feito a pedido do Diário do Nordeste revela que a grande maioria das mulheres no Ceará teme ser alvo de violência. O estudo, que leva em conta agressões físicas, sexuais e psicológicas, foi divulgado nesta semana e apresenta um quadro alarmante da insegurança feminina no Nordeste.
Em Goiás, a situação é considerada crítica por órgãos de segurança e políticas públicas. O estudo 'Mulher Coragem, os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança', realizado pelo instituto Ipsos-Ipec, aponta que 95% das entrevistadas no estado receiam sofrer qualquer forma de violência. A pesquisa, que contou com a parceria do Instituto Patrícia Galvão, ouviu mulheres de diversas faixas etárias e regiões do Ceará, embora a amostra e metodologia detalhada ainda não tenham sido divulgadas publicamente.
Conforme apurou o G1, o índice cearense se destaca pela sua magnitude, superando a percepção de medo em muitas outras unidades da federação. O dado chama a atenção porque supera em muito a média nacional de mulheres que se declaram inseguras, segundo históricos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
A pesquisa também investigou os tipos de violência que mais geram ansiedade, com destaque para a sexual e a doméstica. Em Goiás, especialistas e dados da Secretaria da Mulher do Estado indicam que o problema da violência de gênero é igualmente severo.
A Delegacia da Mulher de Goiânia registra, anualmente, milhares de ocorrências, sendo a maioria relacionada a violência doméstica e familiar. A subnotificação ainda é considerada um fator que pode mascarar uma realidade ainda mais grave, segundo ativistas e pesquisadores da Rede de Observatórios da Segurança.
O contexto goiano se insere em um cenário nacional de persistência da violência contra a mulher. Dados do FBSP mostram que o Brasil ainda está longe de superar a cultura de violência de gênero, com altas taxas de feminicídio e agressões.
Tanto no Ceará quanto em Goiás, a implementação de políticas integradas de assistência, proteção e prevenção é apontada como caminho essencial para reduzir o medo e as estatísticas de violência. Para a goianiense, a pesquisa cearense serve como um espelho da própria realidade.
'O medo é cotidiano, seja no transporte público, na rua ou dentro de casa', afirma uma representante da sociedade civil ouvida pela reportagem. A proximidade cultural e social entre os estados do Centro-Oeste e Nordeste, segundo analistas, faz com que os padrões de violência e as respostas institucionais frequentemente se assemelhem.
A pesquisa do Ceará expõe uma ferida nacional que também dói em Goiás. A resposta dos poderes públicos e da sociedade civil goiana será crucial para transformar o medo em segurança para as mulheres.