Uma médica do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara orientou colegas a não conceder alta a pacientes identificados como eleitores do PT durante o segundo turno das eleições de 2022. A mensagem foi enviada em um grupo de conversa da unidade e obteve adesão imediata de ao menos um profissional.
A profissional, identificada como Marcella Segato de Sousa Melo, escreveu no aplicativo que a maioria dos internados seria 'petista' e sugeriu manter a internação até o término da votação. A captura de tela divulgada pela TV Anhanguera revela 12 reações ao texto e a resposta 'Combinado' de outro participante do grupo.
Segundo reportagem do G1, a direção da maternidade e a Secretaria Municipal de Saúde não se manifestaram sobre o episódio até a publicação. A médica e sua defesa não foram localizadas para comentar a conduta.
O Conselho Regional de Medicina de Goiás (CRM-GO) foi acionado para avaliar a conduta ética da profissional. O órgão informou que instaurou procedimento para apurar se houve violação do código de ética médica, que veda discriminação política no atendimento.
O caso reacende o debate sobre a neutralidade do serviço público de saúde em períodos eleitorais. A legislação proíbe o uso de equipamentos e servidores públicos em benefício de candidaturas ou partidos, sob pena de improbidade administrativa.
A maternidade Célia Câmara é referência em atendimento de alto risco na capital goiana e integra a rede municipal do SUS. O episódio levanta questionamentos sobre mecanismos de fiscalização para garantir que decisões clínicas não sejam influenciadas por preferências partidárias.
A apuração do CRM-GO deve esclarecer se a orientação partiu de iniciativa individual ou reflete prática mais ampla na unidade. O desfecho do processo ético definirá eventuais sanções à profissional envolvida.