A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, confirmou em 30 de maio de 2023 que o governo federal vai utilizar recursos do Fundo Amazônia para atender a emergência sanitária do povo Yanomami em Roraima. A medida responde à crise de desnutrição, malária e contaminação por mercúrio que atinge a população indígena.
O anúncio ocorreu durante agenda oficial em Brasília. A ministra explicou que a decisão atende a um decreto presidencial que reconheceu a emergência de saúde pública no território Yanomami em janeiro daquele ano. O Fundo Amazônia, até então voltado exclusivamente a projetos de conservação e combate ao desmatamento, terá parte de seu saldo redirecionada para ações de assistência médica e segurança alimentar.
Segundo reportagem do G1, a crise na região envolve mais de 30 mil indígenas afetados por desnutrição severa, surtos de malária e contaminação por mercúrio decorrente do garimpo ilegal. Os recursos devem financiar a ampliação de equipes de saúde, a distribuição de insumos e a logística de transporte para áreas de difícil acesso.
A mudança de destinação do fundo gerou debate entre especialistas. O Observatório do Clima e o Greenpeace Brasil, que vêm monitorando a situação, apontam que a medida expõe a gravidade do colapso humanitário, mas alertam para o risco de enfraquecer a proteção florestal a longo prazo. As duas organizações têm divulgado relatórios sobre a expansão do garimpo e seus impactos na saúde indígena.
O governo federal argumenta que a preservação da floresta e a proteção dos povos que nela vivem são objetivos indissociáveis. A pasta do Meio Ambiente informou que a gestão dos recursos seguirá regras de transparência e que haverá prestação de contas específica para essa frente de emergência.
O episódio ilustra a tensão entre metas de conservação e demandas humanitárias urgentes no território amazônico. A execução das ações será acompanhada por órgãos de controle e pela sociedade civil.