O Polo Industrial de Manaus, tradicionalmente ligado a eletroeletrônicos, passa por uma transformação estratégica com a chegada de 12 empresas farmacêuticas de alta tecnologia desde 2020. A produção de medicamentos no local cresceu 47% em 2023, atingindo R$ 1,2 bilhão, e já inclui vacinas, antirretrovirais e fármacos de alto custo, reduzindo a dependência brasileira de importações.
A mudança é impulsionada pelos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, que atraem investimentos de empresas nacionais e internacionais interessadas em diversificar a base produtiva do Norte. A nova realidade coloca Manaus como um dos principais centros de fabricação de medicamentos do país, com capacidade de atender demandas do Sistema Único de Saúde (SUS) e de mercados externos da América Latina.
Segundo o G1, a movimentação industrial no Amazonas não é apenas um fenômeno local, mas um sinal de reestruturação da soberania farmacêutica brasileira. Empresas como a Bio-Manguinhos e multinacionais como a Sanofi já operam ou planejam expandir unidades no PIM, produzindo itens antes totalmente importados. O investimento total no setor já ultrapassa R$ 2 bilhões, conforme apurou o G1.
Enquanto o Norte se fortalece na produção, Goiás — com sua infraestrutura logística, indústria de insumos químicos e centros de pesquisa em biotecnologia em Goiânia — tem oportunidade de se integrar à nova cadeia. Aproximações com fornecedores de embalagens, equipamentos de refrigeração e laboratórios de controle de qualidade podem transformar o Estado em um elo estratégico, evitando que seja apenas consumidor passivo da nova produção do Norte.
Ainda que Manaus tenha vantagens fiscais únicas, Goiás pode competir por sua localização central, conexões rodoviárias e proximidade com mercados do Centro-Oeste e Sudeste. Parcerias com universidades como a UFG e a criação de polos de inovação em saúde podem atrair investimentos de empresas farmacêuticas que buscam logística eficiente e mão de obra qualificada, sem depender exclusivamente dos benefícios da ZFM.
A transformação de Manaus em polo farmacêutico não é apenas um avanço regional — é uma oportunidade nacional. Goiás, com sua estrutura logística e científica, pode se posicionar como parceiro indispensável nessa nova era da saúde brasileira.