A adolescente Emillyne, de 13 anos, é surda e se comunica por Libras, mas sua mãe, Monique Rejane, não conhece a língua. Para se entenderem no dia a dia, as duas precisam inventar gestos e sinais caseiros. A situação foi mostrada pelo G1 Alagoas no Dia Nacional do Surdo, celebrado em 26 de setembro.
A barreira linguística dentro de casa obriga mãe e filha a recorrer a uma comunicação improvisada, mistura de gestos, expressões faciais e sinais criados por elas mesmas. Emillyne relata que a falta de Libras da mãe gera dificuldades para conversas mais complexas, como assuntos escolares ou sentimentos. Monique conta que tenta acompanhar a filha, mas a rotina de trabalho e a falta de cursos acessíveis dificultam o aprendizado da língua de sinais.
Segundo reportagem do G1, o caso ilustra um desafio enfrentado por muitas famílias brasileiras: a ausência de políticas públicas que garantam o ensino de Libras para parentes de pessoas surdas. No Dia Nacional do Surdo, a data reforça a luta da comunidade por cidadania, autonomia e o direito de se comunicar plenamente. A legislação brasileira reconhece a Libras como meio legal de comunicação desde 2002, mas a oferta de formação para familiares ainda é limitada na maioria dos municípios.
Especialistas em educação inclusiva defendem que escolas e serviços de saúde devem oferecer cursos gratuitos de Libras para pais e responsáveis, preferencialmente no contraturno escolar. A aprendizagem da língua pela família evita o isolamento da pessoa surda e fortalece seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Quando a família aprende Libras, a criança surda passa a participar ativamente das decisões domésticas e escolares, o que impacta diretamente sua autoestima.
O relato de Emillyne e Monique expõe a urgência de transformar o direito à comunicação em prática cotidiana. Garantir que famílias tenham acesso ao aprendizado de Libras é passo essencial para que a inclusão saia do papel e chegue à sala de casa. A data serve de lembrete de que a acessibilidade comunicacional começa no ambiente mais íntimo.
A história das duas mostra que a inclusão real depende de oportunidades concretas para que famílias aprendam a língua de sinais. O direito de se comunicar não pode depender da improvisação.