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Brasil

Machosfera invade escolas de Goiânia: adolescentes replicam discurso de ódio contra mulheres

Investigação aponta crescimento de grupos online que disfarçam machismo como autoajuda e afetam convivência escolar

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Redação Biscoitei
12 de julho de 2026, 20:54 2 min de leitura
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Machosfera invade escolas de Goiânia: adolescentes replicam discurso de ódio contra mulheres
Foto: Reprodução/og:image

Em Goiânia, escolas públicas e privadas relatam aumento de casos de adolescentes reproduzindo discursos machistas aprendidos nas redes sociais. O fenômeno, conhecido como 'machosfera', promove a dominação masculina e a submissão feminina sob o disfarce de 'filosofia de vida', impactando diretamente a segurança e o ambiente escolar das meninas.

Segundo o G1, a machosfera é um ecossistema digital composto por perfis e comunidades que usam referências como o 'red pill' do filme Matrix para atrair jovens entre 13 e 17 anos. Os conteúdos, muitas vezes apresentados como dicas de autoajuda, ensinam que homens devem dominar mulheres para serem 'verdadeiramente homens', normalizando a violência psicológica e a objetificação.

Conforme apurou o G1, dados do Instituto de Pesquisa Social e Digital (IPSD) revelam que 37% dos jovens brasileiros de 14 a 18 anos já entraram em grupos online com conteúdo de ódio às mulheres. Em Goiânia, educadores relatam que alunos trazem esses discursos para a sala de aula, usando frases como 'mulheres são para servir' ou 'homens não devem se submeter', gerando constrangimentos e até ameaças a alunas.

De acordo com G1, a Fundação Getúlio Vargas apontou em 2025 que a crise das masculinidades, alimentada por algoritmos de redes sociais, tem criado uma geração de meninos que buscam identidade em discursos de ódio. O mesmo estudo mostra que 68% dos adolescentes que consomem esse conteúdo não reconhecem como machista o que veem, acreditando estar recebendo 'verdades ocultas'.

Em Goiás, a situação tem obrigado escolas a adotar novas estratégias pedagógicas. Professores de escolas da rede pública, como o Colégio Estadual Jardim América, iniciaram rodas de conversa sobre gênero e violência digital, enquanto o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos registrou um aumento de 42% nas denúncias de discurso de ódio em ambientes escolares em 2026.

A presença da machosfera nas escolas de Goiânia revela um desafio profundo para a educação e a convivência democrática. Combater o discurso de ódio exige mais que punição — precisa de formação contínua de professores e diálogo com famílias.

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