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Brasil

Lucro na indústria farmacêutica pode limitar acesso a remédios de saúde mental em Goiás

Estudo internacional mostra que priorização por rentabilidade deixa de lado tratamentos para depressão e ansiedade, o que pode refletir no SUS goiano.

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Redação Biscoitei
29 de março de 2026, 03:32 2 min de leitura
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Lucro na indústria farmacêutica pode limitar acesso a remédios de saúde mental em Goiás

A neuropsicofarmacologista Gabriella Gobbi, professora da Universidade McGill, alerta que o lucro, e não a ciência, define quais medicamentos para doenças mentais chegam aos pacientes. Em entrevista à revista Brain Medicine, ela afirma que a busca por retorno financeiro prioriza compostos de maior potencial de mercado, negligenciando tratamentos para depressão, ansiedade e esquizofrenia. Especialistas questionam se essa lógica afeta o acesso a remédios no Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiás.

Gobbi, que também preside o Colégio Internacional de Neuropsicofarmacologia (CINP), destaca que o capital de risco nas etapas iniciais de desenvolvimento de fármacos direciona os investimentos para condições com maior promessa de retorno, como doenças crônicas de alta incidência. Isso cria um ciclo onde doenças mentais, apesar de sua carga global de sofrimento, recebem menos atenção científica e financeira, segundo a pesquisadora.

Segundo o G1, essa dinâmica tem implicações diretas no Brasil, especialmente em estados como Goiás, onde o SUS já enfrenta limitações no fornecimento de medicamentos psicotrópicos. Em Goiânia, a capital, usuários do sistema público relatam demoras e falta de opções terapêuticas mais modernas para transtornos como depressão maior e esquizofrenia.

Historicamente, a indústria farmacêutica tem sido criticada por focar em 'blockbusters' — medicamentos de amplo uso e alta rentabilidade — enquanto doenças com menor mercado, como algumas formas de ansiedade ou psicoses, são negligenciadas. Esse modelo, segundo Gobbi, compromete o avanço da ciência e a descoberta de tratamentos mais eficazes para condições que afetam milhões worldwide.

No contexto goiano, especialistas em saúde mental ouvidos pelo G1 apontam que a escassez de inovação farmacológica agrava a dependência de medicamentos mais antigos, muitas vezes com efeitos colaterais significativos. A situação é especialmente crítica na rede pública, onde orçamentos limitados impedem a aquisição de novas opções terapêuticas, mesmo quando disponíveis no mercado internacional.

O alerta internacional reforça a urgência de mecanismos que desvincularem o desenvolvimento farmacológico da pura lógica de mercado, garantindo que avanços científicos cheguem também aos pacientes do SUS em Goiás.

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