A influenciadora Lore Improta desabafou sobre a experiência traumática do parto de seu segundo filho, Levi, em São Paulo, em 7 de outubro de 2023. Ela revelou que o nascimento foi muito diferente do planejado, causando dor física e emocional, e que evitou olhar para fotos do momento por semanas.
Lore descreveu o parto como exaustivo, não apenas por conta da dor, mas pela pressão interna para que tudo fosse perfeito. Ela admitiu sentir-se culpada por não ter vivido uma experiência idealizada, mas também refletiu sobre o valor intrínseco da vida que nasceu: 'Como é que ele pode não ser [bom]?', questionou, em postagem nas redes sociais.
Segundo o G1, histórias como a de Lore estão se tornando mais comuns entre mulheres que enfrentam expectativas sociais irreais sobre o parto. A pressão por um nascimento 'natural', 'calmo' ou 'perfeito' pode agravar o trauma pós-parto, especialmente quando o real é marcado por complicações, falta de apoio ou isolamento emocional.
No contexto brasileiro, a dificuldade de acesso a cuidados obstétricos de qualidade afeta milhões. Em Goiás, 32% dos partos ocorrem em unidades públicas, segundo DATASUS de 2023, onde superlotação, escassez de profissionais e ausência de acompanhamento pós-parto são realidades cotidianas. Muitas mães goianas não têm a opção de escolher o local do parto, nem acesso a psicólogas ou suporte psicológico após o nascimento.
Enquanto Lore tem acesso a estrutura privada e rede de apoio, milhares de mulheres em Goiânia e no interior enfrentam filas de horas em pronto-socorros, partos sem anestesia ou sem acompanhante, e ausência de orientação sobre saúde mental pós-parto. A vulnerabilidade compartilhada por uma celebridade pode, então, servir de espelho para uma crise sistêmica que atinge principalmente as mais pobres.
A coragem de Lore em falar sobre seu parto difícil pode inspirar diálogos necessários, mas a verdadeira mudança exige políticas públicas que garantam dignidade e cuidado para todas as mães, não apenas para aquelas que têm voz nas redes.