A lombalgia, ou dor nas costas baixas, atinge cerca de 80% da população brasileira em algum momento da vida e já é a principal causa de incapacidade global, segundo a OMS. Em Goiânia, a condição se tornou um problema de saúde pública e trabalhista, com alta incidência entre profissionais de setores como comércio, serviços e administração pública, que passam longas horas em posições sentadas.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que aproximadamente 619 milhões de pessoas no mundo sofrem com lombalgia, um número que supera a população total do Brasil. No país, estudos da Faculdade de Medicina da USP indicam que a prevalência é ainda mais expressiva: oito em cada dez brasileiros terão pelo menos um episódio da dor ao longo da vida. A condição é multifatorial, mas especialistas em medicina do trabalho destacam a postura inadequada e os longos períodos sentados como principais gatilhos no ambiente corporativo.
Conforme apurou o G1, o impacto econômico é significativo, com a lombalgia figurando entre as principais razões para afastamentos do trabalho e benefícios por incapacidade no Brasil. No estado de Goiás, os números acompanham a tendência nacional. Profissionais do comércio e dos serviços, que formam a base da economia goianiense, são particularmente vulneráveis devido à natureza de suas atividades, frequentemente realizadas em pé ou em movimentos repetitivos, somados ao estresse muscular acumulado.
Apesar da alta incidência, há uma carência de programas de ergonomia eficazes em muitas empresas da capital. O Instituto Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (ANSST) e a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) reforçam que a prevenção — com ajustes de mobiliário, pausas regulares e exercícios de alongamento — é a estratégia mais custo-efetiva. No entanto, a cultura do trabalho ainda negligencia essas práticas, perpetuando um ciclo de dor e afastamentos.
Para o goianiense, isso significa uma perda direta de qualidade de vida e renda. Os dados do Ministério da Saúde, via Datasus, mostram que internações e consultas por problemas na coluna vertebral são constantes na rede pública e privada de Goiânia. A situação exige uma resposta integrada entre poder público, setor produtivo e sistema de saúde, com foco em educação postural e adaptação dos ambientes de trabalho.
A lack de estatísticas locais específicas sobre afastamentos por lombalgia dificulta um dimensionamento preciso, mas especialistas consultados pelo G1 afirmam que o problema é subnotificado e crescente. A transição para o trabalho remoto ou híbrido, adotada por muitas empresas após a pandemia, trouxe novos desafios ergonômicos, com mesas e cadeiras inadequadas em domicílios, agravando o cenário.
A lombalgia deixou de ser uma queixa eventual para se tornar um obstáculo econômico e social em Goiânia, exigindo ações imediatas de prevenção no ambiente de trabalho para evitar uma crise de saúde pública ainda mais profunda.