Neste domingo, as ruas de Laranjeiras, município sergipano a 20 quilômetros de Aracaju, foram ocupadas pela Festa dos Lambe-Sujos e Caboclinhos. A celebração reúne grupos que encenam personagens históricos e folclóricos, mantendo viva a herança cultural da região. Considerada uma das maiores apresentações teatrais a céu aberto do país, a festa é patrimônio da cultura popular sergipana.
A programação incluiu cortejos, cantos de trabalho, danças de roda e encenações que misturam elementos africanos, indígenas e europeus. Os Lambe-Sujos, com corpos pintados de carvão e folhagens, representam a resistência negra, enquanto os Caboclinhos, com penachos e indumentárias coloridas, evocam a ancestralidade indígena. Juntos, eles transformam o centro histórico em palco vivo de memória coletiva.
Segundo reportagem do G1, a festa mobiliza dezenas de grupos comunitários que se preparam durante o ano todo. A encenação não segue roteiro fixo: cada apresentação nasce da improvisação dos brincantes, o que garante frescor a cada edição. A Prefeitura de Laranjeiras e a Secretaria de Cultura do Estado dão suporte logístico, mas a organização permanece nas mãos dos mestres e das famílias guardiãs da tradição.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconhece a manifestação como Patrimônio Cultural Imaterial desde 2019. O título reforça a obrigação de salvaguardar não apenas a performance, mas os saberes de feitura de instrumentos, adereços e cantigas transmitidos oralmente entre gerações. Pesquisadores destacam que a festa funciona como arquivo vivo da história social do Baixo São Francisco.
Turistas e estudiosos de todo o país acompanham a programação, que se estende por todo o dia e invade a madrugada. Hotéis e pousadas da região operam com lotação máxima, e a economia local gira em torno da venda de artesanato, comidas típicas e hospedagem. O fluxo de visitantes fortalece a cadeia produtiva da cultura popular e projeta Laranjeiras no roteiro nacional de turismo de experiência.
A Festa dos Lambe-Sujos e Caboclinhos segue como símbolo de resistência e criatividade coletiva, mostrando como a cultura popular se reinventa sem perder a raiz.