O ministro da Fazenda, Dario Durigan, apontou os juros elevados como o principal gargalo da economia brasileira, com a taxa Selic em 14,25% ao ano — a mais alta do mundo em termos reais. Em Goiânia, onde microempreendedores representam 62% do total de empresas, o alto custo do crédito dificulta o pagamento de dívidas e reduz o consumo local, impactando diretamente a vida de milhares de famílias.
Segundo o G1, a taxa básica de juros, mantida em patamares recordes pelo Banco Central para controlar a inflação, tem efeito direto sobre empréstimos, cartões de crédito e financiamentos. Para microempresários em Goiânia, que dependem de crédito rotativo para manter o fluxo de caixa, o aumento nos juros significa menos capital para investir, contratar ou ampliar os negócios. A dívida pública, que chegou a 81,4% do PIB em 2024, também é pressionada por esses juros, exigindo mais recursos do Orçamento para pagar os juros da dívida.
Conforme apurou o G1, Durigan afirmou que o Ministério da Fazenda não é o principal responsável pela situação, atribuindo a responsabilidade ao Banco Central e à necessidade de manter a inflação sob controle. No entanto, para pequenos comerciantes em bairros como Jardim Botânico, Vila Operária e Cidade Ocidental, o efeito prático é o mesmo: crédito mais caro, menos vendas e aumento no número de inadimplentes. A pesquisa do SEBRAE aponta que 45% dos microempreendedores em Goiás já tiveram que renegociar dívidas nos últimos seis meses.
Historicamente, o Brasil já enfrentou ciclos de juros altos, como nos anos 1990 e no início da década de 2000, mas a combinação atual de inflação persistente, dívida elevada e crescimento econômico fraco é inédita desde a redemocratização. A diferença agora é a estrutura do mercado: enquanto antes o crédito era dominado por grandes empresas, hoje a economia local é movida por pequenos negócios, mais vulneráveis a variações de juros.
Em Goiás, a pressão sobre o consumo é sentida em lojas de bairro, feiras livres e serviços de manutenção. A redução no poder de compra das famílias, combinada com o aumento do custo do crédito, cria um círculo vicioso: menos consumo leva a menos faturamento, o que dificulta o pagamento de dívidas já contraídas. O IBGE registrou queda no índice de confiança do consumidor em Goiânia no primeiro trimestre de 2024, o pior desde 2022.
Com juros em patamares históricos e a economia local dependente de microempresas, a manutenção da Selic alta pode atrasar a recuperação do mercado de trabalho e do comércio em Goiânia, mesmo que o objetivo seja controlar a inflação.