A juíza responsável pela Operação Disclosure determinou a abertura de uma segunda etapa de investigações ao identificar elementos que sugerem ciência de Beto Sicupira e Paulo Lemann sobre as irregularidades contábeis que resultaram no rombo bilionário da Americanas. O Ministério Público Federal manifestou divergência, argumentando que não há provas suficientes para atribuir conhecimento direto aos executivos.
Segundo reportagem do Jornal Opção, a decisão judicial destaca que há indícios de que os sócios da 3G Capital teriam tomado conhecimento das manipulações que maquiaram resultados da varejista por anos. A magistrada fundamentou a medida na necessidade de aprofundar a apuração sobre o alcance da fraude e a eventual participação de controladores.
O Ministério Público Federal, contudo, posicionou-se contra o avanço da investigação contra os dois empresários. Para o órgão, o material coletado até o momento não permite estabelecer vínculo direto entre Sicupira, Paulo Lemann e as operações contábeis fraudulentas, o que tornaria a medida prematura.
A Operação Disclosure já realizou fases anteriores que resultaram em prisões e bloqueios de bens de ex-diretores da Americanas. As apurações anteriores concentraram-se na diretoria executiva da companhia, enquanto a nova etapa mira a esfera de controle acionário exercida pela 3G Capital.
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade de controladores em fraudes corporativas de grande porte. Especialistas em governança observam que a definição judicial sobre o grau de conhecimento dos acionistas de referência pode criar precedente relevante para o mercado de capitais brasileiro.
A divergência entre juíza e MPF deve ser analisada pelo tribunal superior, o que alonga o processo e mantém a incerteza sobre os desdobramentos para os investidores e para a credibilidade das instituições de controle.