Um adolescente de 16 anos, funcionário como jovem aprendiz, foi agredido por um policial militar enquanto abria o estabelecimento comercial em Catalão, no sudeste goiano. O caso ganhou repercussão após a mãe denunciar a violência e revelar a trajetória de trabalho precoce do filho.
Segundo reportagem do Mais Goiás, a agressão ocorreu no horário de abertura da loja onde o jovem atua como aprendiz. A mãe afirmou que o filho começou a trabalhar aos 11 anos de idade e contribui com as despesas domésticas, o que reforça a vulnerabilidade de adolescentes inseridos precocemente no mercado de trabalho formal.
O policial envolvido foi conduzido à delegacia e liberado após o pagamento de fiança no valor de R$ 3 mil. A Polícia Militar informou que instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta do agente, enquanto a Polícia Civil investiga o crime de lesão corporal.
Entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente apontam que o episódio expõe a fragilidade de fiscalização do trabalho infantil no interior do estado. Dados do Ministério Público do Trabalho indicam que Goiás registrou mais de 200 denúncias de trabalho irregular de menores apenas no primeiro semestre.
Em Goiânia, casos recentes de abordagens violentas contra jovens em situação de trabalho motivaram a criação de um grupo de trabalho interinstitucional para monitorar denúncias. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social informou que vai solicitar ao Conselho Tutelar de Catalão o acompanhamento da família.
A agressão a um adolescente que cumpre jornada legal de aprendizagem reacende o debate sobre preparo policial e proteção ao trabalho juvenil em Goiás.