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Goiás

JK senador por Goiás: acordos, apoio a Castelo Branco e cassação pela ditadura

Trajetória do ex-presidente no Senado ilustra rupturas dos anos 1960 e ecoa no debate político atual

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Redação Biscoitei
16 de agosto de 2026, 07:30 2 min de leitura
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Juscelino Kubitschek chegou ao Senado por Goiás em 1955 fruto de um arranjo partidário que selou sua base no Centro-Oeste. O mandato durou até 1964, quando o golpe militar alterou o tabuleiro e o ex-presidente declarou respaldo ao marechal Castelo Branco. Mesmo assim, o regime cassou seus direitos políticos dois anos depois, encerrando a carreira parlamentar do idealizador de Brasília.

O acordo que levou JK ao Senado goiano envolveu o PSD local e setores do PTB, costurado para garantir palanque forte na região na esteira da eleição presidencial de 1955. No Congresso, o senador defendeu obras de infraestrutura para o estado e manteve interlocução com as oligarquias que sustentavam seu projeto de desenvolvimento nacional.

Após abril de 1964, JK anunciou apoio público ao governo Castelo Branco, apostando na normalização institucional. A decisão gerou críticas de setores da esquerda e de antigos aliados, mas não impediu que o Ato Institucional nº 2, de outubro de 1965, atingisse o ex-presidente. A cassação foi publicada no Diário Oficial da União em 10 de junho de 1966, sob a alegação de atividades contrárias à revolução.

O episódio revela a fragilidade dos pactos políticos da época: quem negociou a transição acabou varrido pela mesma lógica de exceção que ajudou a instalar. Historiadores da Fundação Getúlio Vargas e do Arquivo Nacional apontam que a cassação de JK serviu de aviso a qualquer liderança que ousasse transitar entre o legalismo e a oposição.

Em Goiás, a memória do senador cassado ressurge em debates sobre autonomia do Parlamento e proteção de mandatos. Segundo reportagem do Google News Goiás, parlamentares atuais citam o caso ao discutir projetos de imunidade parlamentar e regras de inelegibilidade, tratando o episódio como referência histórica sobre os riscos de rupturas institucionais.

A trajetória de JK no Senado goiano mostra como acordos de poder podem ser desfeitos à força e por que a defesa do voto e do mandato permanece urgente na política brasileira.

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