Juscelino Kubitschek chegou ao Senado por Goiás em 1955 fruto de um arranjo partidário que selou sua base no Centro-Oeste. O mandato durou até 1964, quando o golpe militar alterou o tabuleiro e o ex-presidente declarou respaldo ao marechal Castelo Branco. Mesmo assim, o regime cassou seus direitos políticos dois anos depois, encerrando a carreira parlamentar do idealizador de Brasília.
O acordo que levou JK ao Senado goiano envolveu o PSD local e setores do PTB, costurado para garantir palanque forte na região na esteira da eleição presidencial de 1955. No Congresso, o senador defendeu obras de infraestrutura para o estado e manteve interlocução com as oligarquias que sustentavam seu projeto de desenvolvimento nacional.
Após abril de 1964, JK anunciou apoio público ao governo Castelo Branco, apostando na normalização institucional. A decisão gerou críticas de setores da esquerda e de antigos aliados, mas não impediu que o Ato Institucional nº 2, de outubro de 1965, atingisse o ex-presidente. A cassação foi publicada no Diário Oficial da União em 10 de junho de 1966, sob a alegação de atividades contrárias à revolução.
O episódio revela a fragilidade dos pactos políticos da época: quem negociou a transição acabou varrido pela mesma lógica de exceção que ajudou a instalar. Historiadores da Fundação Getúlio Vargas e do Arquivo Nacional apontam que a cassação de JK serviu de aviso a qualquer liderança que ousasse transitar entre o legalismo e a oposição.
Em Goiás, a memória do senador cassado ressurge em debates sobre autonomia do Parlamento e proteção de mandatos. Segundo reportagem do Google News Goiás, parlamentares atuais citam o caso ao discutir projetos de imunidade parlamentar e regras de inelegibilidade, tratando o episódio como referência histórica sobre os riscos de rupturas institucionais.
A trajetória de JK no Senado goiano mostra como acordos de poder podem ser desfeitos à força e por que a defesa do voto e do mandato permanece urgente na política brasileira.