A cantora Ivete Sangalo compartilhou, em 3 de maio de 2024, imagens de um passeio pelo Rio São Francisco, na Bahia, onde nasceu, e declarou o local como 'minha casa'. A declaração reacende o debate sobre o vínculo afetivo entre artistas e rios históricos, enquanto no Centro-Oeste, rios como o Paraná e os da Bacia do Tocantins sofrem com desmatamento e poluição.
O Rio São Francisco, que corta cinco estados do Nordeste e Minas Gerais, é um símbolo cultural e econômico para milhares de comunidades ribeirinhas. Para Ivete, que cresceu em Juazeiro, a água do rio representa raízes, memórias e inspiração artística — tema recorrente em suas músicas. A postagem, com vídeos dela entre as águas, gerou milhares de interações e reforçou o papel do rio como um lar emocional, não apenas geográfico.
Segundo o G1, o São Francisco já enfrenta pressões por uso excessivo de água e alterações climáticas, mas ainda mantém um forte vínculo simbólico com a identidade regional. No Centro-Oeste, porém, a realidade é distinta: rios como o Paraná e os afluentes do Tocantins sofrem com desmatamento da mata ciliar, lançamento de esgoto e garimpo ilegal. Em Goiás, comunidades que vivem às margens desses cursos d'água relatam perda de peixes, água contaminada e desaparecimento de tradições ligadas ao rio.
A conexão emocional com os rios é universal — de Ivete a ribeirinhos do Tocantins, todos os que dependem desses biomas os veem como parte da própria identidade. Mas enquanto o São Francisco ainda é celebrado em festivais, músicas e turismo cultural, os rios goianos carecem de políticas públicas eficazes de preservação. O contraste revela como o mesmo sentimento de pertencimento pode coexistir com realidades ambientais opostas.
Em Goiânia, ONGs e movimentos ambientais alertam que a degradação dos rios afeta diretamente a qualidade de vida e a cultura local. Projetos de recuperação de nascentes e educação ambiental nas escolas são incipientes, e a falta de fiscalização agrava o problema. Para moradores de bairros ribeirinhos, como os da região do Rio Meia Ponte, a perda da água limpa é também a perda de um lar.
A declaração de Ivete Sangalo sobre o São Francisco ecoa como um chamado para valorizar os rios como patrimônios vivos. Em Goiás, esse mesmo sentimento precisa ser traduzido em ações concretas de proteção, antes que a memória cultural se perca junto com as águas.