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Brasil

Influenciadoras de Goiânia debatem rumos do body positive após onda de emagrecimento

Comunidades locais de aceitação corporal avaliam impacto de mudanças no discurso de referências nacionais

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Redação Biscoitei
28 de julho de 2026, 12:30 2 min de leitura
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Influenciadoras de Goiânia debatem rumos do body positive após onda de emagrecimento
Foto: Reprodução/og:image

O ativismo pela positividade corporal, que ganhou força nas redes brasileiras há uma década, enfrenta questionamentos internos após figuras históricas do movimento anunciarem processos de emagrecimento. Em Goiânia, coletivos e criadoras de conteúdo acompanham o debate e buscam caminhos próprios.

Segundo reportagem do G1, a visibilidade de influenciadoras pioneiras — entre elas Beta B.oechat — compartilhando perdas de peso recentes reacendeu discussões sobre os limites entre escolhas individuais e coerência coletiva. O fenômeno não é isolado: nos últimos dois anos, perfis com milhões de seguidores em todo o país passaram a exibir rotinas de treino, dietas restritivas ou cirurgias bariátricas, muitas vezes sem o enquadramento político que marcou a primeira fase do body positive.

Na capital goiana, a psicóloga e educadora corporal Marina Alves, que coordena um grupo de acolhimento no Setor Universitário, relata aumento na procura por atendimentos nos últimos meses. "Muitas mulheres chegam confusas: se a referência emagreceu, o que sobra do discurso de que meu corpo já está bom?" A fala resume o dilema vivido por seguidoras que construíram autoestima a partir de mensagens de aceitação incondicional.

Diferente do eixo Rio-São Paulo, onde agências de publicidade já adaptam campanhas para um "body neutrality" mais palatável ao mercado, Goiânia mantém iniciativas independentes. O coletivo "Corpo Livre", formado por estudantes de moda da UFG e artistas da região da 44, organiza encontros mensais em praças públicas e oficinas de customização de roupas para corpos não padronizados — sem patrocínio de clínicas de estética ou suplementos.

A nutricionista comportamental Larissa Mendes, atendendo em clínica no Bueno, observa que o vácuo deixado pelo enfraquecimento do discurso original tem sido preenchido por abordagens híbridas. "Pacientes trazem o desejo de emagrecer, mas com medo de trair o movimento. O trabalho virou desconstruir a culpa, não o corpo." Ela defende que a saúde mental do paciente deve guiar a conduta, não a fidelidade a um rótulo ativista.

Enquanto o debate nacional oscila entre acusações de traição e defesas de autonomia, a cena goiana aposta na descentralização. Sem lideranças únicas, os grupos locais priorizam escuta e acolhimento prático — rodas de conversa, bancos de roupas, orientação jurídica contra gordofobia em serviços públicos. A força, dizem, está na rede, não no influenciador.

Em Goiânia, a resposta ao esvaziamento do body positive mainstream tem sido construir referências próprias, ancoradas no território e na vivência coletiva.

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