O senador eleito Helder Barbalho (MDB) obteve mais de 4,5 milhões de votos na disputa para o Senado Federal em 2024, garantindo a cadeira do partido em Brasília. Na mesma eleição, a candidata ao governo do Pará apoiada por ele, Hana Ghassan (MDB), foi derrotada nas urnas, quebrando o projeto de continuidade no Palácio do Governo.
A votação expressiva de Helder Barbalho não se transferiu para a chapa majoritária estadual. Enquanto o MDB assegurou presença no Congresso com o próprio Helder e, na segunda vaga, elegeu o aliado Chicão (União Brasil), o comando do Executivo paraense escapou do grupo político que controlava o estado.
Segundo reportagem do G1, o resultado revela um eleitorado que separou as escolhas legislativa e executiva, optando por manter a representação do MDB no Senado, mas rejeitando a continuidade da gestão no governo estadual. A fragmentação do voto expõe limites da máquina partidária no interior do Pará, onde lideranças locais não seguiram integralmente a orientação do senador.
O cenário reconfigura o tabuleiro para 2026: Helder chega a Brasília com capital político próprio, mas sem o controle do Palácio do Governo para articular alianças regionais. A derrota de Hana Ghassan obriga o MDB a negociar espaço na nova administração estadual e a repensar a estratégia de sucessão para a próxima disputa majoritária.
A cisão entre voto para senador e voto para governador mostra que a força eleitoral de Helder Barbalho não é automática em todas as esferas, o que deve pesar nas articulações partidárias nos próximos dois anos.