Funcionários da Transwolff cruzaram os braços na manhã desta segunda-feira (19), interrompendo o serviço de linhas que atendem principalmente a zona sul da capital paulista. A paralisação durou quase dez horas e deixou cerca de 260 mil usuários sem transporte, forçando a busca por alternativas de deslocamento.
A greve começou nas primeiras horas do dia e atingiu corredores importantes da região, como os terminais Santo Amaro e Capelinha. Passageiros relataram superlotação em estações de metrô próximas e dificuldade para acessar aplicativos de transporte por conta da alta demanda.
Segundo reportagem do G1, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito informou que a frota começou a retornar às ruas por volta das 13h50, com previsão de normalização total ao longo da tarde. A pasta não detalhou os motivos reivindicados pela categoria, mas confirmou que não houve registro de violência nos piquetes.
A Transwolff opera cerca de 180 linhas na zona sul, sob concessão da SPTrans. Paralisações na empresa ocorreram em outros momentos recentes, geralmente ligadas a atrasos no pagamento de vale-alimentação, plano de saúde ou reajuste salarial. O sindicato da categoria não havia se manifestado oficialmente até a publicação desta matéria.
Especialistas em mobilidade urbana apontam que a recorrência de greves no sistema de ônibus paulistano expõe a fragilidade do modelo de concessão atual, que transfere o risco operacional às empresas sem garantir contrapartidas estáveis para os trabalhadores. A prefeitura estuda novo edital de licitação para 2025.
O serviço foi totalmente restabelecido no fim da tarde, mas o episódio reforça a necessidade de mecanismos de mediação mais ágeis para evitar que a população pague o preço de disputas trabalhistas.