O governo brasileiro passou a tratar a Lei da Reciprocidade como peça central nas conversas comerciais com os Estados Unidos. A legislação autoriza o país a adotar contramedidas quando parceiros impõem restrições unilaterais que prejudiquem exportações nacionais. A estratégia mira equilibrar o acesso de produtos brasileiros ao mercado americano.
A lei, sancionada em 2023, dá respaldo jurídico para que o Brasil retalie medidas consideradas discriminatórias sem precisar aguardar decisões da Organização Mundial do Comércio. Segundo reportagem do G1, a equipe econômica vê no instrumento uma forma de pressionar por condições mais simétricas em setores onde os EUA mantêm barreiras tarifárias ou não tarifárias.
O tema ganhou urgência após anúncios de políticas protecionistas em Washington que afetam commodities agrícolas e siderúrgicas. Embora não haja cronograma público para as tratativas, fontes do Itamaraty indicam que a reciprocidade entrou na pauta de reuniões técnicas recentes entre as duas partes.
Analistas de comércio exterior apontam que Goiás, segundo maior exportador de soja do país e fornecedor relevante de carne bovina, teria ganhos diretos se a negociação resultar em redução de sobretaxas ou cotas mais favoráveis. Em 2024, o estado embarcou para os EUA cerca de 3,2 milhões de toneladas de soja em grão e 45 mil toneladas de carne bovina in natura, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.
Ainda não há definição sobre quais setores seriam alvo de eventuais retaliações brasileiras caso as conversas não avancem. O governo evita detalhar a lista de produtos para preservar margem de manobra, mas sinaliza que a preferência é por solução negociada.
O desfecho das tratativas ditará o ritmo das exportações goianas nos próximos ciclos, com impacto direto na receita de produtores e na balança comercial do estado.