A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que o Governo do Amazonas desembolsou R$ 22,1 milhões pelo aluguel de um único aparelho de mamografia, quantia suficiente para adquirir 237 equipamentos novos. A irregularidade foi detectada em contrato vigente durante o período eleitoral de 2026.
Segundo reportagem do G1, o sobrepreço foi constatado em auditoria que analisou contratos da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas. O valor mensal do aluguel superava em centenas de vezes o custo de mercado para aquisição direta do mesmo modelo de equipamento.
A CGU classificou a despesa como lesiva ao erário e encaminhou o relatório ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas da União. O órgão de controle também recomendou a suspensão imediata do contrato e a instauração de processo administrativo para apurar responsabilidades.
O mamógrafo alugado atendia a uma unidade de saúde na capital Manaus. Documentos obtidos na fiscalização mostram que a empresa contratada não possuía certificação técnica exigida para manutenção preventiva do aparelho, o que colocava em risco a qualidade dos exames realizados na rede pública.
A secretaria estadual informou, em nota, que vai colaborar com as investigações e que já iniciou procedimento interno para revisão de todos os contratos de locação de equipamentos médicos. Não houve manifestação da empresa contratada até a publicação desta matéria.
O caso expõe falhas nos mecanismos de controle de gastos com saúde pública e reforça a necessidade de transparência em contratos firmados durante períodos eleitorais.