Nesta quinta-feira (2) em Rio Branco, o governador do Acre, Gladson Camelí (PP), confirmou que deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026.
Com mais de sete anos à frente do Executivo estadual, Camelí apresentou um balanço das obras de infraestrutura, saúde e educação realizadas durante sua gestão. Segundo o G1, ele destacou investimentos em rodovias estaduais e na ampliação de unidades de atenção básica nas zonas rurais. O governador também citou a conclusão de projetos de saneamento em municípios do interior, ressaltando que esses avanços visam melhorar a qualidade de vida da população acreana.
Com a saída de Camelí, a vice-governadora Mailza Assis (PP) assumiu imediatamente o comando do Estado, conforme previsto na Constituição estadual. A transição foi descrita pela administração como tranquila, com a equipe de governo já alinhada às prioridades definidas pelo gestor sortant. Segundo fontes do Palácio, Assis já havia participado de reuniões de planejamento estratégico nos últimos meses, preparando‑se para manter a continuidade dos programas em curso. Ela afirmou que pretende dar sequência às ações de desenvolvimento econômico e social iniciadas pelo predecessor.
Durante o anúncio, o governador respondeu às acusações de desvio de recursos públicos que têm circulado nos meios de comunicação nos últimos meses. Ele negou veementemente qualquer irregularidade, afirmando que todas as licitações e contratos foram realizados dentro da legalidade e com transparência. Camelí pediu que os órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado, realizem as auditorias necessárias para comprovar sua inocência. Essa defesa fez parte de seu esforço para preservar a imagem perante o eleitorado diante da campanha senatorial.
A decisão de deixar o Palácio foi motivada pelo desejo de ampliar sua atuação em nível nacional, segundo ele mesmo. Camelí argumentou que uma vaga no Senado permitiria influenciar a formulação de políticas federais que beneficiem diretamente o Acre e os demais estados da região Norte. Ele citou a necessidade de maior representação no Congresso para garantir recursos para infraestrutura de transporte e projetos de energias renováveis. O governador acredita que, ao atuar em Brasília, poderá trazer mais investimentos para o setor madeireiro e agropecuário local.
O movimento de renunciar a cargos estaduais para disputar vagas no Senado ou na Câmara Federal tem se repetido em outros estados do Norte e Centro‑Oeste. Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado é frequentemente mencionado como possível candidato ao Senado, fato que reforça a tendência de lideranças regionais buscarem espaço nacional. Segundo o Google News Goiás, Caiado deixa Goiás como referência nacional, o que pode inspirar outros gestores a seguir o mesmo caminho. Essa mudança pode reconfigurar as articulações políticas diante das eleições de 2026.
Analistas políticos apontam que a saída de Camelí pode abrir espaço para novas alianças dentro do campo conservador do Norte do país. Eles sugerem que a vaga deixada no governo acreano pode ser disputada por figuras ligadas ao agronegócio e ao setor de madeiras, buscando manter a base de apoio do atual gestor. Simultaneamente, grupos progressistas podem tentar capitalizar a transição para avançar com pautas de meio ambiente e direitos indígenas. O cenário indica uma possível polarização nas disputas estaduais e federais nos próximos anos.
Entre as pautas que Camelí pretende influenciar no Senado está o Programa de Subvenção ao Diesel, criado para atenuar os efeitos nos preços domésticos de combustíveis. Segundo o G1, o programa foi criado para atenuar os efeitos nos preços domésticos de combustíveis, e sua continuidade depende de decisões orçamentárias federais. O governador acredita que, com assento no Senado, poderá defender a manutenção ou ampliação do benefício, que impacta diretamente os custos de transporte e produção no Acre. Essa posição poderia fortalecer seu apoio entre transportadores e produtores rurais.
Quanto ao futuro legislativo, Camelí afirmou que pretende priorizar projetos de infraestrutura logística, como a duplicação de rodovias federais que cruzam o estado e a melhoria da navegação no rio Amazonas. Ele também destacou a importância de garantir financiamento para unidades de saúde de atenção básica e para escolas técnicas em áreas remotas. Segundo o governador, essas iniciativas são essenciais para reduzir as desigualdades regionais e promover o desenvolvimento sustentável do Norte do país.
A renúncia de Gladson Camelí marca o fim de um ciclo de mais de sete anos à frente do governo acreano e inaugura uma nova fase de disputa estadual e federal. Sua eventual vitória no Senado poderá redefinir a relação entre o Acre e o governo federal, influenciando a alocação de recursos e a agenda de desenvolvimento regional. Enquanto isso, a administração de Mailza Assis terá o desafio de manter a estabilidade governamental e atender às expectativas da população durante o restante do mandato atual.