Goiás consolidou-se como uma das maiores potências nacionais na produção de feijão, impulsionado por avanços tecnológicos e expansão da irrigação, mas o cenário favorável no campo esbarra em custos elevados e na volatilidade do mercado que afetam diretamente o bolso do consumidor goianiense.
Segundo reportagem do Jornal Opção, dados da Conab e do IBGE mostram que o estado figura entre os maiores rendimentos por hectare do país, resultado de manejo especializado e investimento em pivôs centrais que reduzem a dependência do regime de chuvas.
O pacote tecnológico, porém, eleva o custo de produção: insumos, energia para bombeamento e manutenção de equipamentos pesam na planilha do agricultor, que vê a margem de lucro comprimida quando o preço da saca recua nas praças de comercialização.
As oscilações climáticas adicionam risco. Episódios de seca prolongada ou chuvas fora de época nas regiões do Cerrado goiano comprometem a janela de plantio e a qualidade do grão, gerando perdas que não são totalmente cobertas pelo seguro agrícola.
Para o consumidor da capital, a alta produtividade estadual ajuda a manter o abastecimento regular nas centrais de abastecimento e supermercados, mas o repasse de custos ao varejo impede quedas sustentadas no preço da feira, especialmente nos meses de entressafra.
O desafio do setor é transformar a eficiência no campo em estabilidade de preço na gôndola, o que depende de políticas de armazenagem, logística e mecanismos de mitigação de risco climático.