Goiânia contabilizou 195 mil atendimentos a pessoas em situação de rua nos últimos dois anos, segundo levantamento de serviços municipais de assistência social e saúde. O volume revela a pressão sobre a rede de acolhimento da capital, embora a prefeitura não tenha divulgado o recorte mensal ou anual dos números.
Os números foram compilados a partir de registros da Secretaria Municipal de Assistência Social e de unidades de saúde que atendem o público em vulnerabilidade habitacional. Cada atendimento contabilizado pode envolver desde abordagem de rua e encaminhamento a abrigos até consultas médicas e emissão de documentos.
Segundo reportagem do Diário da Manhã, a gestão municipal não apresentou a distribuição temporal dos 195 mil registros, o que dificulta avaliar se a demanda cresceu ou se manteve estável no biênio. A pasta informou apenas o total agregado, sem discriminar quais programas — como o Consultório na Rua, os Centros POP ou os abrigos noturnos — concentraram a maior parte das ações.
A ausência de dados desagregados impede comparar o esforço de assistência emergencial com investimentos em moradia definitiva, eixo considerado essencial para romper o ciclo de rua. O Plano Municipal de Habitação de Interesse Social prevê a entrega de unidades habitacionais voltadas a essa população, mas o ritmo de execução não foi detalhado em resposta ao veículo.
Trabalhadores sociais ouvidos pela reportagem apontam que a alta rotatividade nos abrigos e a falta de vagas em serviços de saúde mental e dependência química fazem com que uma mesma pessoa seja atendida múltiplas vezes, inflando o contador sem necessariamente indicar reinserção. A prefeitura afirma que estuda ampliar o número de vagas em acolhimento institucional ainda este ano.
O volume de 195 mil atendimentos expõe a dimensão do desafio habitacional em Goiânia e a necessidade de dados transparentes para orientar políticas que vão além do socorro imediato.