Garimpeiros e familiares fecharam trecho urbano da BR-319 em Porto Velho na tarde de quarta-feira (12) em reação à destruição de dragas durante ação conjunta da Polícia Federal, Ibama e ICMBio contra garimpo ilegal no rio Madeira. A manifestação incluiu queima de pneus na via que liga ao Porto Organizado e à ponte sobre o rio.
A operação ocorre simultaneamente em Rondônia e no Amazonas e tem como alvo estruturas de extração ilegal de ouro no leito do rio Madeira. Segundo reportagem do G1, a destruição das dragas provocou a revolta de trabalhadores que dependem da atividade para sustento, levando ao bloqueio da rodovia federal que corta a capital rondoniense.
O trecho interditado dá acesso ao Porto Organizado de Porto Velho e à ponte sobre o rio Madeira, pontos estratégicos para o escoamento de produção e para a ligação rodoviária com o sul do Amazonas. A paralisação do tráfego gerou filas de caminhões e veículos de passeio ao longo da tarde.
Ações de fiscalização ambiental na região amazônica vêm se intensificando nos últimos anos, com foco no garimpo que avança sobre unidades de conservação e terras indígenas. O rio Madeira concentra grande parte da extração artesanal de ouro nos dois estados, o que torna a área alvo recorrente de operações federais.
O episódio reacende o debate sobre o equilíbrio entre preservação ambiental e a economia informal que sustenta milhares de famílias no Norte do país. Entidades de direitos humanos e setores produtivos cobram alternativas de renda e regularização fundiária para reduzir a pressão sobre recursos naturais.
O bloqueio da BR-319 expõe a tensão entre fiscalização ambiental e sobrevivência econômica em territórios de fronteira agrícola e mineral. A solução passa por políticas que conciliem proteção da floresta e inclusão produtiva das comunidades locais.