Em Três Pontas, no sul de Minas, a garça Gilda virou atração matinal em pousada do distrito de Pontalete, às águas do Lago de Furnas. Pontualmente às 8h, ela pousa na varanda e recebe pedaços de peixe da dona do estabelecimento, um hábito que intriga hóspedes e especialistas.
A pousada, situada em uma região de grande beleza cênica, viu na garça um elemento que cativa hóspedes. A ave, aparentemente acostumada à presença humana, pousa na grade da varanda e espera calmamente a oferta de peixe, sem demonstrar agressividade.
A interação, que ocorre pontualmente às 8h, já se tornou um ritual que muitos hóspedes agendam para presenciar. Segundo o G1, a reportagem do Sul de Minas registrou o comportamento e conversou com a proprietária, que prefere não se identificar. Ela contou que começou a oferecer pequenos pedaços de peixe após observar a garça voando próximo ao lago, e a ave passou a retornar diariamente.
Especialistas em fauna alertam que, embora a interação pareça inofensiva, alimentar animais silvestres pode causar dependência e alterar padrões migratórios. O caso de Gilda não é isolado. Em represas do Centro-Oeste, como o Lago de Serra da Mesa, em Goiás, turistas também relatam aproximações com garças e outras aves.
Essas interações têm levantado debates sobre o papel do ecoturismo na conservação e na promoção de uma convivência respeitosa com a fauna local. Para especialistas, a experiência de Gilda pode servir de exemplo para políticas públicas de turismo sustentável em Goiás, onde represas são atrações importantes. A ideia é que seja possível oferecer aos visitantes momentos de contato com a natureza sem comprometer a saúde dos animais ou o equilíbrio ecológico.
O episódio de Gilda reforça a urgência de políticas de educação ambiental e regulamentação do contato com animais silvestres, de modo que o turismo possa coexistir com a preservação.