A França vai reforçar o controle nas fronteiras em resposta à chegada de centenas de migrantes marroquinos à cidade espanhola de Ceuta, no norte da África. O anúncio foi feito pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, enquanto Itália e Suécia reagiram com cobranças e críticas à condução do fluxo por Madri.
Imagens de pessoas a nado tentando alcançar o enclave espanhol circularam na quinta-feira (30) e provocaram reações imediatas de governos europeus. Segundo reportagem do G1, o episódio reacendeu o debate sobre a pressão migratória na fronteira sul do continente.
Nuñez disse que Paris adotará medidas adicionais de vigilância para impedir entradas irregulares. A Itália, por sua vez, lembrou que o espaço Schengen prevê responsabilidade compartilhada e cobrou solidariedade dos parceiros. A Suécia foi mais dura: acusou a Espanha de falta de controle e alertou para o risco de efeito dominó nas políticas de asilo.
Ceuta e Melilla, os dois territórios espanhóis no continente africano, são há décadas pontos de tensão migratória. Marrocos usa periodicamente o fluxo de pessoas como instrumento de pressão diplomática, especialmente em disputas sobre o Saara Ocidental. A onda atual ocorre em meio a negociações tensas entre Rabat e Bruxelas sobre acordos de pesca e ajuda ao desenvolvimento.
A Comissão Europeia acompanha a situação e deve se pronunciar nos próximos dias. Países do sul do bloco defendem revisão do pacto de migração e asilo, enquanto membros do norte resistem a cotas obrigatórias de realocação. O impasse mantém a fronteira externa sob pressão constante.
A escalada em Ceuta expõe a fragilidade de uma resposta europeia unificada e antecipa novo round de negociações sobre quem acolhe e quem financia a gestão das fronteiras externas.