Uma tecnologia desenvolvida por uma estudante de Serra Talhada (PE) para tratar a manipueira, resíduo tóxico do processamento da mandioca, pode ser replicada em Goiás, que é um dos maiores produtores do tubérculo no Brasil. O filtro, confeccionado com caroços de pinha, remove o ácido cianídrico do líquido, evitando a contaminação de solos e água. O projeto venceu a categoria Estudante do Ensino Médio do Prêmio LED Globo 2026.
O projeto, batizado de 'Filtro de Pinha', utiliza cascas e sementes da fruta, amplamente disponíveis no Nordeste, para compor um sistema de filtração que neutraliza o cianeto presente na manipueira. A ideia surgiu durante aulas de química, quando Beatriz percebeu que o caroço da pinha possuía propriedades adsorventes capazes de reter contaminantes. Após meses de testes, o protótipo mostrou-se eficaz na redução da toxicidade do resíduo, podendo ser utilizado por pequenos agricultores e comunidades rurais.
Segundo o G1, a estudante do ensino médio da Escola Quilombola do Brejo de Dentro desenvolveu a solução como alternativa ao descarte inadequado da manipueira, prática comum na região que causa a mortandade de peixes e a degradação do solo. A manipueira, líquido resultante da prensagem da mandioca para produção de farinha ou fécula, contém ácido cianídrico, substância altamente tóxica que exige tratamento antes de ser lançada na natureza.
Em Goiás, a mandiocultura é atividade econômica relevante, especialmente nas regiões norte e nordeste do estado. O estado produziu aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de mandioca em 2023, segundo dados da Conab, sendo grande parte destinada à indústria de fécula. O processamento industrial gera volumes significativos de manipueira, que muitas vezes são lançados nos cursos d'água sem tratamento adequado. Embora não haja informações sobre projetos idênticos ao filtro de pinha em Goiás, a demanda por soluções de baixo custo para o problema é reconhecida por órgãos ambientais e cooperativas locais.
Para especialistas, a inovação de Beatriz tem potencial de ser adaptada a outras realidades, como a goiana, desde que se considerem as matérias-primas locais. A jovem, que nunca havia saído de Serra Talhada antes do prêmio, agora recebe convites para apresentar sua invenção em feiras de ciências e eventos de sustentabilidade.
A vitória no Prêmio LED Globo 2026 reforça a capacidade de jovens de comunidades tradicionais em criar soluções para problemas locais com alcance global. Para Goiás, o filtro de pinha pode ser um modelo a ser estudado e replicado, contribuindo para a redução da poluição hídrica e para a valorização da agricultura familiar.